O número de empresas que recorreram à recuperação judicial em 2025 cresceu 24,3% na comparação com 2024, de acordo com dados do Monitor de Recuperação Judicial da consultoria RGF publicados pelo jornal Valor Econômico. O levantamento indica que o país encerrou o ano com recorde de pedidos do mecanismo previsto na Lei nº 11.101/2005.
Para o advogado Marco Aurélio Mestre Medeiros, especialista em recuperação judicial e sócio fundador do escritório Mestre Medeiros Advogados Associados, o avanço dos processos expõe fragilidades no modelo de concessão de crédito adotado no Brasil nos últimos anos. “O problema não está apenas no devedor; está no sistema”, afirmou.
Medeiros avalia que o país sustentou, por um longo período, uma “cultura de crédito baseada em excesso de confiança”. Segundo ele, esse cenário foi ainda mais evidente no agronegócio, setor que recebeu financiamento rápido e abundante, muitas vezes com menos exigências de garantias, governança e análise técnica do que outros ramos da economia.
O advogado sustenta que o ambiente de juros baixos e liquidez farta incentivou produtores e empresas a expandirem operações e patrimônio apoiados em endividamento. Com a alta dos juros e a consequente restrição ao crédito, o fluxo de recursos secou, transformando o incentivo em cobranças imediatas e elevando o risco de insolvência.
Nesse contexto, Medeiros rebate a visão de que a recuperação judicial seria sinônimo de inadimplência. Para ele, o instrumento jurídico funciona como “remédio” para a preservação da atividade produtiva, ao permitir a renegociação de dívidas sob supervisão judicial e dentro de um plano de pagamento viável.
O especialista alerta que, sem a alternativa da recuperação, execuções judiciais isoladas e possíveis falências poderiam levar à destruição de ativos e à interrupção de cadeias produtivas inteiras. “A recuperação judicial deixou de ser exceção para se tornar ferramenta indispensável de gestão em momentos de crise”, avaliou.
Medeiros defende que o sucesso do processo depende de condução técnica e estratégica, com planejamento e suporte jurídico especializado. Ele observa que, diante de juros elevados, crédito restrito e instabilidade econômica, a medida representa um caminho legítimo para reorganizar passivos e manter empresas operando.
O advogado conclui que 2026 deverá manter o ambiente desafiador para companhias, credores e investidores, reforçando a necessidade de utilização responsável da recuperação judicial enquanto o mercado não recupera condições mais favoráveis de financiamento.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Reporter MT
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