O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu um prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro se manifeste sobre a apreensão de uma pistola Glock 9mm. A arma foi encontrada em posse de um sargento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Estacio Leite da Silva Filho, durante uma blitz de trânsito na região do Pistão Norte, em Taguatinga, no Distrito Federal.
O incidente ocorreu quando policiais militares abordaram o veículo do sargento e, além da arma institucional que ele portava regularmente, localizaram a pistola Glock e um carregador sobressalente. Em depoimento às autoridades, Estacio Leite da Silva Filho afirmou que havia retirado o armamento para realizar um reparo mecânico, alegando uma pane de simples solução relacionada ao percussor da arma. Segundo sua versão, a pistola foi retirada na segunda-feira, 15 de abril, e seria devolvida ao proprietário na terça-feira, 16 de abril, após o conserto.
Detalhes da apreensão e investigação
No momento da abordagem, o militar não conseguiu apresentar a documentação da arma, pois ela estava registrada em nome de terceiros. Após os esclarecimentos iniciais, o sargento foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia, onde prestou depoimento e foi posteriormente liberado. A propriedade da pistola foi confirmada através do sistema Sigma do Exército Brasileiro, conforme detalhado no despacho emitido pelo ministro Moraes. A Polícia Civil do Distrito Federal comunicou formalmente o ministro sobre a ocorrência.
A 21ª Delegacia de Polícia agora será responsável por aprofundar a investigação, apurando as circunstâncias da posse do armamento, a regularidade de seu transporte e a documentação apresentada pelo sargento. A situação levanta questões sobre os procedimentos de segurança e a custódia de armas de fogo por agentes do GSI, especialmente quando vinculadas a figuras públicas.
Questionamentos do ministro Moraes a Bolsonaro
A determinação de Moraes exige que a defesa de Bolsonaro esclareça pontos cruciais. O ministro quer saber por que o ex-presidente mantinha uma arma em sua residência, acompanhada de um carregador sobressalente, e, mais especificamente, por que solicitou o reparo do armamento justamente às vésperas do encerramento do período de 90 dias de sua prisão domiciliar humanitária. Este questionamento adiciona uma camada de complexidade ao caso, dado o contexto legal em que Bolsonaro se encontra.
Além disso, Moraes também requisitou informações detalhadas sobre os protocolos adotados em relação aos aparelhos celulares dos agentes do GSI que atuam na segurança do ex-presidente. O ministro busca esclarecer se esses dispositivos permanecem armazenados fora da residência de Bolsonaro durante o cumprimento da medida cautelar, visando garantir a integridade e a transparência das comunicações.
Contexto da prisão domiciliar
Jair Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Ele está em prisão domiciliar humanitária desde o dia 24 de março, uma medida autorizada pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. A concessão da prisão domiciliar se deu em razão de um quadro de broncopneumonia que acometeu o ex-presidente, e a medida foi fixada pelo prazo de 90 dias, que se aproxima do fim. O incidente com a arma e as subsequentes exigências de Moraes ocorrem em um momento sensível para o ex-mandatário, que aguarda o desfecho de diversas investigações e processos judiciais.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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