O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou o tratado de livre-comércio firmado entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) como um passo “estratégico e decisivo” para a política comercial do Brasil. O texto foi assinado nesta terça-feira, 16 de setembro de 2025, e amplia o acesso dos países do bloco sul-americano aos mercados de Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia.
Ampliação de mercados em cenário de protecionismo
Com população somada de cerca de 15 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto de US$ 1,4 trilhão, os quatro membros da EFTA figuram entre as maiores rendas per capita do planeta. Para Alckmin, a parceria mostra que “o Brasil está pronto para competir e cooperar em alto nível”, fortalecendo a inserção do Mercosul na Europa num momento de crescente protecionismo global.
Dados do MDIC indicam que a conclusão desse e de outros acordos em negociação – União Europeia e Singapura – poderá elevar em 152 % a corrente de comércio brasileira sob regimes preferenciais, saltando de US$ 73,1 bilhões para US$ 184,5 bilhões.
Principais termos do tratado
Pelo cronograma acertado:
- A EFTA eliminará 100 % das tarifas de importação sobre produtos industriais e pesqueiros brasileiros.
- Quase 99 % das exportações do Brasil ao bloco europeu terão livre acesso imediato.
- O Brasil liberalizará 97 % do comércio bilateral, preservando margens de proteção para setores considerados sensíveis.
O país manteve fora do alcance do acordo as compras públicas relacionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e garantiu flexibilidade para utilizar encomendas tecnológicas e políticas de aquisição governamental em prol da indústria nacional. O texto também inclui disciplinas sobre barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e facilitação de comércio, aumentando transparência e previsibilidade nas trocas entre os blocos.
Impacto econômico projetado
Estudos do governo apontam que, até 2044, o tratado pode acrescentar R$ 2,69 bilhões ao PIB brasileiro, atrair R$ 660 milhões em investimentos e ampliar em R$ 3,34 bilhões as exportações nacionais. Os ganhos decorrem, principalmente, da eliminação total de tarifas industriais logo no primeiro dia de vigência e da redução de barreiras não tarifárias.
O capítulo de serviços e investimentos é considerado estratégico: a Suíça é o 11.º maior investidor estrangeiro direto no Brasil, com estoque de US$ 30,5 bilhões, enquanto a Noruega se destaca como principal doadora do Fundo Amazônia, com aportes de R$ 3,4 bilhões.
Setores que devem ganhar espaço
No agronegócio, carnes bovina, de aves e suína, milho, farelo de soja, frutas (banana, melão, uva), café torrado, sucos de laranja e maçã, mel, etanol e fumo não manufaturado terão acesso preferencial. Na indústria, madeira, celulose, pedras ornamentais e produtos semimanufaturados de ferro e aço despontam entre os beneficiados.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), segmentos de maior valor agregado, como alimentos processados, químicos, máquinas e equipamentos, metalurgia e produtos de metal, terão de ajustar estratégias de preço, demanda e logística para explorar plenamente as novas oportunidades.
Alckmin acrescentou que o governo trabalha para concluir também os acordos Mercosul–União Europeia e Mercosul–Singapura, além de negociações com Emirados Árabes Unidos, Canadá, México e Índia. “Abrir mercados não é apenas comércio exterior; é aumentar a renda da população, fortalecer a indústria e tornar o Brasil mais competitivo”, afirmou.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, que acompanhou a assinatura, observou que o tratado reflete o compromisso brasileiro com um comércio internacional baseado em regras e com a preparação do país para desafios futuros.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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