Uma crise política sem precedentes se instalou nos bastidores da Câmara de Carlinda e vai muito além de simples divergências administrativas.
Nos corredores do Legislativo carlindense, o que se desenhou na última semana é um jogo de forças políticas contrárias, disputas internas, acusações cruzadas e pressões veladas que culminaram em uma batalha judicial pelo controle do duodécimo — dinheiro este que garante a sobrevivência política da Casa.
Lúcia Kanno (PRD), presidente da Câmara Municipal de Carlinda, revelou em entrevista ao MatoGrossoAoVivo que, a partir de situações internas abusivas e de descontrole nos gastos com alguns vereadores da atual legislatura, precisou mergulhar em uma espécie de “raio-X” financeiro da Câmara, reunindo jurídico, contabilidade, RH e vereadores aliados para entender o verdadeiro cenário da atual legislatura.
Ao final da auditoria interna, o diagnóstico, segundo ela, foi alarmante, pois, devido à negativa do executivo municipal em honrar compromissos financeiros constitucionais com a Câmara, resultou em um déficit superior a R$ 60 mil, um rombo que ameaçava salários, férias e décimo terceiro dos servidores — e que poderia expor fragilidades internas. Diante desse quadro, a presidente decidiu acionar o que chamou de “modo contenção”.
Cortando a própria carne.
Pela lógica, segundo ela, foi simples: “Se a torneira estava secando, alguém teria de fechá-la onde fosse possível”. E os primeiros atingidos haveriam de ser os próprios vereadores, com cortes na verba indenizatória de R$ 2 mil por parlamentar em três meses consecutivos. Na mesma linha, o vale-alimentação dos servidores — criado na própria gestão — foi suspenso temporariamente, uma decisão que nos bastidores teria causado forte insatisfação, acendendo o estopim da crise.
Mas o que parecia uma medida administrativa racional logo se transformou em combustível político para a instalação de um jogo de interesses pessoais por parte de seus pares, na maioria da base aliada do executivo, surpreendendo toda a população de Carlinda.

Lúcia Kanno afirma que, antes da crise, buscou o prefeito em busca de uma saída negociada, levando consigo vereadores, contadora e advogado. A resposta do Executivo, segundo ela, foi direta: “não havia recursos para socorrer a Câmara“. A partir daí, os cortes se tornaram inevitáveis — e as tensões, inevitavelmente, explodiram.
Foi então que, segundo a presidente, começou um período intenso de instabilidade interna, marcado por articulações silenciosas, ataques pessoais que culminaram em disseminação de informações falsas e dissimuladas. Com tudo isso, nos últimos dias, o ambiente, antes institucional, teria se transformado em um campo de disputa pelo controle político da Casa de Leis.
Um dos episódios mais graves revelados na entrevista concedida ao MatoGrossoAoVivo envolve supostas declarações assinadas por vereadores, nas quais constaria que o repasse do duodécimo só seria normalizado caso Lúcia Kanno deixasse a presidência.
Os documentos, segundo ela, teriam sido assinados durante uma reunião na Secretaria de Educação, em horário de expediente, e estariam arquivados. Para a presidente, o caso representa uma tentativa explícita de pressão política e uma afronta direta à autonomia do Legislativo — um movimento que, nos bastidores, soa como chantagem institucional.
Outro ponto que gerou ruído político foi a compra de coroas de flores com recursos da Câmara. O tema, explorado por críticos, foi classificado por Lúcia Kanno como uma narrativa distorcida. Segundo ela, as aquisições tiveram respaldo legal, passaram pelo controle interno e atenderam familiares diretos de vereadores e servidores, dentro dos limites permitidos pela legislação. Ainda assim, o episódio foi usado como munição política em meio ao clima de instabilidade.
A presidente também fez questão de destacar que, desde que assumiu a presidência, sua gestão tem sido alvo de escrutínio, e garante que tudo está exposto explicitamente no Portal da Transparência, justamente porque sabe das intenções daqueles que a acusam. Ela citou também medidas administrativas que, segundo ela, reorganizaram a estrutura interna da Câmara: regularização salarial, ampliação de carga horária, contratação de assessoria jurídica especializada e adequações exigidas pelo Tribunal de Contas.
No centro da discussão, está a decisão de judicializar o repasse constitucional de 7% do orçamento municipal. Lúcia Kanno afirma que a iniciativa não foi solitária, mas articulada com a maioria dos vereadores para blindar a Câmara de futuras crises financeiras. A Constituição Federal, segundo ela, é clara, e o que estava em jogo não era política, mas sobrevivência institucional.
Em um trecho ainda mais tenso, a presidente revelou ter recebido ameaças pessoais e a familiares (netas), registrou boletim de ocorrência e afirmou que segue sustentada pela fé, disse que enfrenta o cenário com base em princípios cristãos e compromisso público — uma declaração que, em meio ao conflito, assume tom de resistência pessoal diante de forças que, segundo ela, tentaram derrubá-la.
Ao final, Lúcia Kanno foi taxativa: “Não vou renunciar, se é o que eles querem”! Disse que permanecerá no comando da Câmara até o último dia do mandato, mesmo sob pressão, e que não pretende disputar a reeleição, defendendo a alternância de poder como antídoto contra crises políticas.
Encerrando a entrevista, a presidente disse que se coloca à disposição de toda a sociedade, do prefeito e dos próprios vereadores que a acusam, e deixou claro que acredita que o diálogo é a única saída para a guerra silenciosa que se instalou nos bastidores do poder legislativo de Carlinda.
A presidente gravou um vídeo em resposta às acusações dos cinco vereadores que levantaram “suspeitas” quanto aos interesses pessoais da vereadora.
RESPOSTA AOS MUNICÍPES:
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🕒 LINHA DO TEMPO
DOCUMENTOS, PRESSÃO E SUSPEITA DE CHANTAGEM
O ponto mais explosivo da entrevista foi a revelação de documentos assinados por vereadores, supostamente condicionando o repasse do duodécimo à saída da presidente do cargo. Se confirmado, o caso pode configurar tentativa de interferência direta na autonomia do Poder Legislativo.
Segundo Lúcia, os documentos foram assinados em reunião realizada na Secretaria de Educação, em horário de expediente, e estão arquivados. A narrativa levanta suspeitas de uma possível operação política para derrubá-la da presidência.
DINHEIRO, FLORES E NARRATIVAS
Outro foco de polêmica foi a compra de coroas de flores com recursos públicos, usada por críticos como símbolo de supostos excessos. A presidente rebateu, afirmando que os gastos foram legais, analisados pelo controle interno e permitidos pela legislação vigente.
Mesmo assim, o episódio virou munição política em meio ao ambiente de instabilidade.
JUDICIALIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Com o impasse com o Executivo, a Câmara decidiu recorrer à Justiça para garantir o repasse constitucional de 7% do orçamento municipal. Lúcia Kanno afirma que a iniciativa foi coletiva e necessária para evitar colapso institucional.
A judicialização expôs uma ruptura entre Executivo e Legislativo — algo raro em municípios pequenos, onde acordos políticos costumam prevalecer sobre disputas formais.
AMEAÇAS E CLIMA DE TENSÃO
Em um dos trechos mais sensíveis, a presidente revelou ter recebido ameaças e registrado boletim de ocorrência. Ela afirmou que segue no cargo sustentada pela fé e não pretende renunciar, mesmo sob pressão.
1️⃣ Assunção da presidência.
Lúcia Kanno assume a presidência e detecta déficit financeiro.
2️⃣ Medidas de contenção.
Corte de verba indenizatória dos vereadores.
Suspensão do vale-alimentação dos servidores.
3️⃣ Tentativa de negociação com o Executivo.
Reunião com o prefeito, vereadores e equipe técnica.
Prefeitura alega falta de recursos.
4️⃣ Escalada de tensão interna.
Ataques políticos e acusações pessoais.
Disseminação de informações falsas.
5️⃣ Supostos documentos de pressão.
Vereadores teriam condicionado repasse à saída da presidente.
6️⃣ Judicialização do orçamento.
Câmara aciona Justiça para garantir repasse constitucional.
7️⃣ Revelação de ameaças.
Presidente registra boletim de ocorrência.
8️⃣ Declaração final.
Lúcia afirma que não renunciará e permanecerá até o fim do mandato.
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