As graves denúncias apresentadas por um auxiliar técnico que prestou serviços à entidade esportiva revelam um cenário de acúmulo de dívidas e promessas de pagamentos em nome de terceiros que jamais serão cumpridas.
Uma crise sem precedentes já vem se desenrolando há quase dois anos e teve seu ápice neste final de semana, quando um auxiliar técnico de São Paulo, professor Fábio Scorzoni Dalto, foi contratado para preparar a liga de jogadores da Super Liga B de outros estados para competir junto a campeonatos regionais em Alta Floresta e demais cidades do entorno da região norte de Mato Grosso.
Nas redes sociais, o preparador emitiu uma postagem acusando o Voleibol de Alta Floresta – VAF, também denominado Clube Floresta de Voleibol – CFV, de ter dado um suposto “calote”, que, em valores atuais, segundo ele, já ultrapassaria a quantia de mais de R$ 1.000,000,00.
Na lista de credores encontram-se hotéis, restaurantes, técnicos, auxiliares, fisioterapeutas e, principalmente, os atletas que foram contratados para jogar pelo time do VAF.
O caso caiu como uma bomba no meio da classe esportiva do município, tendo como principais atores um servidor contratado do município, da área do esporte, Amauri Nogueira de Castro, lotado na secretaria de esportes como educador físico, técnico da seleção alta-florestense, e a presidência do VAF na época, na pessoa de Eloir Luedke, além de sua esposa Ana, que responde atualmente pela presidência do clube.
Origem das dívidas
Em novembro de 2023, a Secretaria de Esporte do município de Alta Floresta anunciou a criação de uma nova equipe campeã da Super Liga C, conquistando o título e acesso à Super Liga B, que seria formada por atletas. Após sagrar-se vitoriosa em disputas regionais, alcançou colocação para enfrentar equipes de todo o país.
Já em 2024, a prefeitura não poupou divulgações e o marketing institucional trabalhou como nunca para anunciar o destaque dos atletas que disputavam títulos por Alta Floresta. Para tanto, foram escalados atletas renomados, formando uma equipe imbatível que foi muito bem explorada em benefício da campanha eleitoral a favor da reeleição do prefeito Chico Gamba.
Entre os atletas contratados de outros estados para representar Alta Floresta estavam:
(Preservamos os nomes dos atletas para efeito de sigilo da Lei LGPD e do Estatuto da Infância e Adolescência).
– B. B., natural de Indaiatuba SP. Hoje joga no Norde Vôlei (Superliga A);
– P. C., natural de São Paulo SP, atualmente sem clube;
– V. S., natural de Belo Horizonte, atualmente sem clube;
– J. M., natural de Campinas, atualmente sem clube;
– G. C., natural de Brasília, atualmente jogando em Israel;
– S. L., Natural de Natal RN, atualmente sem clube;
– I. G., natural de São Paulo, joga na Macedônia do Norte;
– E. E., natural de Canoas RS, atualmente jogando em Canoas RS,
– K. S., natural de Buriticupu MA, atualmente jogando em Portugal;
– L. L.; Natural de São Paulo, atualmente jogando na Macedônia do Norte;
– J. P., natural de Hortolândia SP, atualmente sem clube;
– F. M., natural de Hortolândia SP, atualmente sem clube.
– T. F., natural de Belo Horizonte, atualmente jogando em Israel.
– Í., natural de Timóteo MG, atualmente no Norde Vôlei (Superliga A).
Para manutenção e estadia dos atletas, foram necessárias hospedagens em hotéis, refeições, despesas extras e salários com os atletas e profissionais técnicos experientes, que perduraram durante todo o ano de 2024. No decurso destas estadias, dívidas foram acumuladas pelo Clube de Voleibol de Alta Floresta – VAF, na ordem de mais de um milhão de reais.
Após reiteradas tentativas de receberem seus salários, técnicos e atletas se cansaram de ouvir promessas de pagamento advindas de uma suposta emenda parlamentar que seria repassada ao município, mas que nunca era efetuada. Tanto o presidente do VAF, Eloir Luedke, quanto o técnico da equipe, Amauri Nogueira, são apontados como os principais responsáveis pela promessa dos pagamentos quanto pelas dívidas contraídas no comércio local e junto aos membros da equipe.
Exaustos de promessas vazias, parte da equipe decidiu entrar com processos judiciais de cobrança junto à Justiça do Trabalho e à Justiça comum. Além disso, um hotel em que ficaram hospedados os atletas também já ingressou com um protesto contra o CNPJ do VAF e o CPF do presidente na ordem de R$ 90.000,00.
Um dos primeiros a cobrar por seus salários foi o auxiliar técnico, Fábio Scorzoni Dalto. Após duas decisões judiciais favoráveis, agora detém a soma de R$ 48.000,00 como credor do Clube de Voleibol Alta Floresta.
Já para um alojamento situado no centro da cidade, os responsáveis pela equipe já têm outra conta em aberto que, segundo os proprietários, já chega a quase R$ 90.000,00.
Segundo também o auxiliar técnico, existe uma conta mais expressiva ainda, da ordem de mais de R$ 200.000,00 em um dos mais renomados restaurantes de Alta Floresta, que não foi honrada até hoje.
Além destas despesas, o denunciante Fábio Scorzoni Dalto afirma que cerca de 6 atletas que compuseram a equipe nunca receberam, que já ingressaram junto à Justiça do Trabalho em ações trabalhistas, e, ao todo, as dívidas salariais com todos os atletas podem chegar à ordem de até R$ 600.000,00.
Procuramos contato com Amauri Nogueira e Eloir Luedke, mas não fomos respondidos até o momento. Fizemos contato também com a esposa do Sr. Eloir, Ana Luedke, que foi apontada pela Secretaria Municipal de Esporte como a atual presidente do VAF, mas não fomos atendidos nem respondidos por ambos.
O que diz a Secretaria de Esportes
Em conversa com o atual Secretário municipal de Esportes, Zamir Mendes, declarou que nunca houve qualquer repasse de emendas parlamentares, conforme anunciado aos atletas e profissionais, pelos integrantes da equipe técnica e pela presidência do VAF.
Zamir Mendes também assegurou que, caso haja qualquer repasse de emenda parlamentar no futuro, infelizmente o VAF não poderá participar do fomento e receber qualquer quantia do município por estar com as suas certidões irregulares em desacordo com o que rege a legislação municipal, diante de vários protestos e dívidas contraídas. Caso haja uma regularização fiscal por parte do VAF, nada impede de que ele venha a receber futuramente do município, porém, diante do quadro financeiro, acha muito difícil que isso venha a se resolver.
(Após tentativas de contato não respondidas até o término desta matéria, o MatoGrossoAoVivo estende sua redação para que as partes citadas apresentem seu direito de resposta no exercício da ampla defesa.)
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