Especialistas alertam que a perda auditiva, mesmo quando discreta ou de evolução lenta, vai além da dificuldade para escutar sons. A limitação interfere diretamente na comunicação diária, compromete a autonomia e reduz a participação social, refletindo no bem-estar emocional de quem convive com o problema.
Em consultórios de otorrinolaringologia, pacientes relatam irritabilidade, desânimo e dificuldades de interação antes de associarem esses sintomas a alterações na audição. Conversas em grupo, reuniões de trabalho e ambientes ruidosos passam a exigir esforço extra para entender o interlocutor, o que gera cansaço, frustração e, muitas vezes, leva ao afastamento de atividades sociais.
Segundo o otorrinolaringologista Henrique Leão Guedes, presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia de Mato Grosso (SOMT), o cérebro precisa trabalhar além do normal para compensar a perda auditiva. Esse processo provoca exaustão mental que, ao longo do tempo, pode desencadear mudanças de humor, queda da autoestima e sensação de incapacidade, principalmente quando o distúrbio não é diagnosticado ou tratado.
O especialista explica que cuidar da audição não significa buscar perfeição, mas sim preservar a capacidade de se comunicar, manter vínculos e participar ativamente da vida cotidiana. Tratamentos clínicos, cirúrgicos ou o uso de aparelhos auditivos costumam proporcionar ganhos que ultrapassam a melhora técnica da audição, impactando positivamente na independência e na qualidade de vida.
Estigma e adiamento do diagnóstico
Apesar dos avanços nos dispositivos de amplificação sonora, o estigma associado ao uso de aparelhos auditivos ainda é forte. Muitos pacientes acreditam que a perda só ocorre em idades avançadas ou que “ainda não está tão ruim”, adiando a procura por avaliação especializada. Esse retardamento prolonga os efeitos negativos sobre a saúde mental e intensifica o isolamento social.
Relação entre audição e saúde mental
A ligação entre saúde emocional e audição é direta: ouvir bem significa participar de conversas, exercer autonomia e sentir-se incluído. Campanhas como o Janeiro Branco, voltadas à conscientização sobre saúde mental, reforçam a necessidade de observar condições físicas frequentemente negligenciadas, entre elas a audição.
Para Guedes, atenção constante, diagnóstico precoce e acompanhamento profissional são fundamentais. “Quando falamos em saúde mental, é indispensável ampliar o olhar e reconhecer a audição como peça central nesse equilíbrio”, ressalta.
O médico orienta que qualquer sinal de dificuldade para entender fala em ambientes com barulho, zumbidos frequentes ou necessidade de aumentar o volume da televisão deve motivar uma avaliação auditiva. O tratamento adequado, pontua ele, costuma devolver ao paciente a confiança para retomar atividades sociais e profissionais, diminuindo o impacto emocional causado pela perda.
Entidades da área e profissionais recomendam programar exames de rotina, especialmente para quem apresenta fatores de risco como exposição prolongada a ruídos, histórico familiar de surdez ou doenças que possam afetar o ouvido interno. A intervenção precoce facilita o controle da progressão da perda e mitiga consequências psicológicas.
Com a conscientização de que escutar bem é parte essencial de uma vida ativa e integrada, especialistas reforçam que investir no cuidado auditivo significa também investir em saúde mental.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNEWS
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