Reeducandos do sistema prisional paulista passaram a fabricar móveis que serão destinados aos empreendimentos habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Os primeiros protótipos foram apresentados na terça-feira (16/9), no Palácio dos Bandeirantes, na capital, durante a divulgação de 15 mil novas unidades que o governo estadual pretende entregar a 107 municípios.
A iniciativa é resultado de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap) e a CDHU. Pelo documento, a autarquia estadual poderá adquirir itens produzidos nas oficinas mantidas pela Funap dentro dos presídios. A linha inclui guarda-roupas, camas, armários de cozinha e demais peças planejadas para equipar os imóveis.
Os móveis estão sendo confeccionados em uma unidade instalada em Caraguatatuba, no litoral norte. De acordo com a Funap, o projeto também contempla, em fases posteriores, a produção de estruturas de alumínio, componentes de madeira e artefatos de concreto, como blocos estruturais e pisos intertravados.
Projeto piloto em moradias para idosos
O lote inicial será destinado ao programa Vida Longa, que oferece moradias a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade social. As duas primeiras cidades contempladas serão Jaguariúna e Itapira, ambas no interior paulista. A expectativa é avaliar a operacionalização, a qualidade das peças e o impacto social antes de expandir a parceria para outros conjuntos da CDHU.
Segundo Mauro Lopes, diretor-executivo da Funap, 59 oficinas produtivas funcionam hoje em estabelecimentos penais do estado, abrangendo marcenaria, solda, pintura e confecção. “A Funap abre oportunidades para que essas pessoas comecem uma nova vida, com educação, formação e emprego. Esses protótipos são um primeiro passo de um projeto que pode ganhar escala, beneficiando tanto os moradores como os reeducandos”, afirmou.
A fundação já mantém, em Pirajuí, uma linha de produção de mobiliário escolar certificada pelo Inmetro — única instalada dentro de unidades prisionais com essa chancela, de acordo com a entidade. A experiência acumulada na confecção de carteiras e mesas para escolas serviu de base técnica para o novo acordo com a CDHU.
Embora o pontapé inicial seja voltado a empreendimentos para idosos, a CDHU avalia estender a utilização da mão de obra carcerária para outros projetos habitacionais, caso os resultados apresentados na fase piloto se confirmem positivos.
Para os detentos envolvidos, a participação nas oficinas conta como remição de pena, além de oferecer capacitação profissional e possibilidade de renda. Por sua vez, o governo estadual espera reduzir custos na aquisição de mobiliário e estimular a ressocialização por meio do trabalho.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
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