Uma exposição inovadora foi inaugurada no Rio de Janeiro, reunindo a produção artística de indivíduos que já passaram pelo sistema prisional e seus familiares. Intitulada “Coexistir Coabitar”, a mostra utiliza diversas linguagens como pintura, performance e vídeo para instigar reflexões aprofundadas sobre o encarceramento, as desigualdades sociais e a eficácia das políticas públicas. A visitação ocorre no Largo das Artes, com entrada gratuita.
Artistas compartilham vivências marcantes
Entre os 27 artistas participantes está Wallace Costa, um biomédico de 29 anos residente em Irajá, na zona norte carioca. Sua obra, intitulada “Cadeias de Vidro”, consiste em três telas confeccionadas em resina que revisitampois a complexa trajetória de seu pai no cárcere, evidenciando as marcas deixadas na estrutura familiar. Wallace relata que seu pai foi detido mais de uma vez, permanecendo 11 anos preso na penúltima ocasião. Após o cumprimento da pena, passou pelo regime semiaberto e foi novamente encarcerado por um ano em 2019. O artista enfatiza que a arte serve como um meio para processar memórias e promover o debate sobre temas como justiça, saúde mental e ressocialização de ex-detentos.
A placa central de sua obra replica um jornal que noticiou o pai como suposto instigador de uma rebelião em abril de 2004. As laterais incorporam fragmentos de vidro, adesivos e canudos encapsulados em resina, simbolizando a fragmentação e a anulação da identidade do indivíduo encarcerado. Segundo Costa, o trabalho busca tanto a empatia quanto o reconhecimento em um reflexo distorcido de si mesmo, indo “além da notícia” e explorando a saúde mental do egresso.
Larissa Rolando, uma mulher trans de 20 anos, moradora de Bangu, na zona oeste, também apresenta sua arte na exposição. Detida entre fevereiro e maio do ano passado, Larissa descreve sua passagem pelo sistema prisional como um ponto de inflexão decisivo em sua vida, transformando a experiência em introspecção e expressão artística. Mesmo com seus documentos já retificados, a jovem enfrentou o pânico de ser alocada em uma unidade masculina, contrariando suas expectativas de ir para um presídio feminino. Ela relata um medo “estratosférico” de agressões, mas surpreendentemente encontrou respeito e presteza por parte dos detentos.
Apesar do tratamento digno por parte dos internos, Larissa teve de enfrentar condições sanitárias e alimentares precárias. Essa vivência, segundo ela, a tornou mais madura, redefinindo amizades e prioridades, e impulsionou seu foco na escultura. Para a mostra, ela criou um coração empalado com veias, de onde emergem CDs, um elemento que representa a constante presença da música em sua vida, desde a infância e durante sua transição de gênero, em momentos de alegria e tristeza.
A proposta da "Coexistir Coabitar"
A mostra “Coexistir Coabitar” é resultado de uma residência artística que reuniu 27 participantes no Museu da Vida Fiocruz. O projeto teve como foco egressos do sistema prisional e socioeducativo, bem como seus familiares, articulando arte, saúde e justiça social. A criação artística foi utilizada como ferramenta de escuta e de reconstrução de trajetórias pessoais.
O curador Jean Carlos Azuos ressalta que as obras nascem das experiências genuínas dos próprios artistas, não de temas impostos. “Arte, justiça social e saúde ampliada atravessam os processos de criação e se tornam matéria e linguagem”, afirma Azuos. Além da exibição das obras, a programação contempla atividades educativas, incluindo visitas mediadas, oficinas interativas e rodas de conversa, com o objetivo de ampliar o diálogo com o público visitante.
Informações para Visitação
A exposição “Coexistir Coabitar” está disponível para visitação no Largo das Artes, localizado na Rua Luís de Camões, número 02, no Centro do Rio de Janeiro, no primeiro andar. Os interessados podem conferir a mostra até o dia 25 de abril de 2026. O horário de funcionamento é de terça-feira a sábado, das 10h às 17h, com entrada gratuita para todos os visitantes.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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