A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) está intensificando os esforços para elevar a qualidade e a rastreabilidade da lã gaúcha, visando fortalecer sua posição no competitivo mercado global. Recentemente, a entidade promoveu uma atualização técnica abrangente para as equipes certificadas pelo Programa de Certificação da Lã Gaúcha, reunindo profissionais especializados em esquila, classificação e certificação da produção ovina no Rio Grande do Sul. O principal objetivo é harmonizar os procedimentos técnicos e reforçar os rigorosos padrões de qualidade exigidos pelos compradores internacionais.
Este programa de capacitação foi desenhado para aprimorar o conhecimento e padronizar as práticas, assegurando que todos os envolvidos no processo de certificação da lã estejam alinhados com as técnicas mais avançadas. As “comparsas”, que são grupos especializados na tosquia de ovinos, desempenham um papel fundamental na preservação da qualidade do velo, desde a propriedade rural até a fase final de comercialização, garantindo que o produto atenda às expectativas do mercado.
Aprimoramento técnico e padronização da lã gaúcha
A atualização técnica foi ministrada por Daniel Duarte, um renomado especialista com 25 anos de experiência na certificação da lã uruguaia, que tem sido um colaborador do programa gaúcho desde sua implementação na Fronteira Oeste. A escolha de Duarte como instrutor foi estratégica, dada sua vasta experiência prática e reconhecimento no setor, conforme explicou Sérgio Muñoz, gestor do Programa de Certificação da Lã da Arco. Muñoz enfatizou a importância de ter um profissional de sua envergadura para aprimorar as metodologias e assegurar a excelência no trabalho.
Atualmente, 13 comparsas possuem credenciamento para utilizar o selo de qualidade da lã gaúcha. Para obter e manter essa certificação, todas as equipes são submetidas a uma rigorosa validação técnica e devem aderir estritamente aos protocolos estabelecidos pela entidade. O sistema de certificação da Arco possibilita a identificação precisa de cada lote produzido, garantindo total rastreabilidade e monitoramento contínuo da produção, desde a origem até o consumidor final.
Rastreabilidade e auditoria constante garantem qualidade
A qualidade dos serviços prestados pelas comparsas é assegurada por meio de auditorias permanentes, conforme destacou Sérgio Muñoz. Essa fiscalização contínua é crucial para a credibilidade do programa e para a confiança dos compradores. O feedback dos compradores de lã, tanto do mercado interno quanto do externo, serve como um dos principais indicadores para avaliar o sucesso do programa de certificação, fornecendo informações diretas sobre a qualidade da fibra comercializada.
O monitoramento da qualidade da lã é realizado em todas as etapas, desde a propriedade rural até o destino final da fibra. A participação de representantes de empresas uruguaias compradoras de lã no evento de atualização técnica sublinhou o reconhecimento do mercado internacional aos padrões de qualidade adotados pela ovinocultura gaúcha. Muñoz salientou que a presença internacional demonstra a crescente relevância do trabalho de certificação da Arco no cenário global. Para mais informações sobre o setor, consulte o Portal do Agronegócio.
Reconhecimento internacional e exigências da indústria
Além dos procedimentos de classificação e certificação, o treinamento abordou a correta emissão dos “romanês”, documentos fundamentais que acompanham a lã certificada em toda a sua cadeia. A precisão no preenchimento dessas informações é vital para garantir a rastreabilidade, a transparência e a segurança comercial do produto. Daniel Duarte esclareceu dúvidas técnicas essenciais relacionadas à preparação do velo, incluindo a separação de barrigas, desbordes, velos A, velos B e velos inferiores.
Duarte explicou que a indústria têxtil contemporânea exige um velo limpo e com características específicas, e o treinamento serviu para alinhar produtores e comparsas com essas exigências. A capacitação contínua é um pilar para que a lã gaúcha possa atender às expectativas de um mercado cada vez mais rigoroso em termos de qualidade e sustentabilidade.
Desafio da mão de obra especializada e soluções
Durante o encontro, a Arco também apontou um desafio significativo para o desenvolvimento do setor: a necessidade de ampliar a oferta de mão de obra especializada em algumas regiões do Rio Grande do Sul. Áreas como a região das Missões, por exemplo, já enfrentam uma demanda crescente por comparsas qualificadas para suportar a expansão da atividade ovina. Sérgio Muñoz alertou que “existem regiões com bastante ovelha que estão desabastecidas”, destacando a urgência de formar novos profissionais.
Para enfrentar essa questão, a Arco tem promovido cursos de formação em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Essas iniciativas visam aumentar o número de profissionais capacitados para atuar tanto na certificação quanto no manejo da lã gaúcha, garantindo o suporte necessário para o crescimento sustentável da ovinocultura no estado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão MT
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