Uma usina de energia solar, cujo contrato ultrapassa R$ 10 milhões, tornou-se o epicentro de uma intensa crise política em Alta Floresta, Mato Grosso. Vereadores do município formalizaram uma denúncia ao Ministério Público (MP), alegando que, apesar de a prefeitura já ter desembolsado cerca de R$ 7,5 milhões para a empresa contratada, o sistema fotovoltaico permanece inoperante, sem gerar qualquer benefício prático.
Os parlamentares Darlan Carvalho (PRD), Luciano Silva (PL) e Dida (Cidadania) destacam que a paralisação impede o município de alcançar uma economia mensal estimada em R$ 200 mil nas despesas com energia elétrica da iluminação pública, um valor significativo para os cofres municipais.
A Denúncia e os Valores Milionários da Usina Solar
O contrato para a implantação da usina solar, firmado pela Prefeitura de Alta Floresta, prevê um investimento total superior a R$ 10 milhões. A denúncia dos vereadores aponta que, até o momento, aproximadamente 75% desse montante, ou seja, cerca de R$ 7,5 milhões, já foi repassado à empresa sediada em Goiânia (GO) responsável pelo projeto. Contudo, o sistema ainda não entrou em operação, gerando questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos e a eficácia do planejamento.
A Fiscalização e o Estado dos Equipamentos
Em uma vistoria técnica realizada no pátio da Secretaria de Infraestrutura, os vereadores encontraram mais de 1,5 mil painéis solares estocados. A inspeção revelou condições preocupantes no local de armazenamento, com caixas abertas, fiações danificadas e a ausência de um sistema de monitoramento por câmeras ou vigilância adequada para proteger o patrimônio público. A situação levanta preocupações sobre a integridade e a segurança dos equipamentos adquiridos com verba municipal.
O Impasse Técnico com a Energisa
O principal entrave para a execução do projeto reside em um parecer técnico emitido pela Energisa, a concessionária de distribuição de energia elétrica em Mato Grosso. O relatório da empresa apontou a inviabilidade de a rede elétrica local absorver a carga de energia que seria produzida pela nova usina fotovoltaica. Além disso, a Energisa não apresentou previsão para a realização de obras estruturais que pudessem ampliar a capacidade da rede e viabilizar a conexão da usina.
A denúncia dos parlamentares ressalta que, mesmo após a manifestação contrária da concessionária em outubro, a prefeitura efetuou novos pagamentos, totalizando R$ 5 milhões, em novembro. Essa liberação de recursos, após o alerta técnico da Energisa, intensifica as críticas sobre a condução do projeto.
Mudanças no Projeto e Atrito Político
Diante das restrições da rede elétrica, há discussões sobre uma provável alteração no escopo original da engenharia do projeto. Inicialmente, o plano previa a montagem das estruturas diretamente no solo. Agora, estuda-se a transferência das placas solares para telhados, uma medida que pode acarretar custos adicionais à obra, levantando suspeitas de falha no planejamento técnico inicial.
O caso também provocou atritos políticos. Durante as vistorias, o prefeito Chico Gamba (União) expressou irritação e criticou a postura dos vereadores fiscalizadores, evidenciando o clima de tensão em torno do projeto da usina solar em Alta Floresta.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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