A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (8), a Operação Gemini, que mira um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Entre os principais alvos da investigação estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL), apontado pelas autoridades como o braço direito do magistrado no esquema, que teria movimentado cerca de R$ 3,2 milhões.
Estrutura do esquema e atuação dos investigados
De acordo com os relatórios da Polícia Federal, o desembargador afastado operava uma rede complexa de interposição financeira. O esquema contava com o auxílio do advogado Bruno Castro de Oliveira, identificado como operador econômico, e do deputado Faissal Calil. As investigações apontam que o parlamentar atuava na captação de vantagens indevidas, na quitação de dívidas familiares do magistrado e na realização de triangulações imobiliárias simuladas com o uso de terceiros, conhecidos popularmente como laranjas, para conferir legalidade aos recursos ilícitos.
O nome da operação, Gemini, faz referência a uma alcunha encontrada na agenda telefônica de um dos envolvidos, utilizada para identificar o operador financeiro do gabinete. A PF sustenta que a relação entre os investigados era de coautoria funcional, onde um exercia a jurisdição enquanto o outro gerenciava a esfera financeira informal, ocultando ativos e dissimulando a origem do dinheiro.
Movimentações financeiras e itens de luxo apreendidos
O aprofundamento das análises bancárias e de dados extraídos de dispositivos móveis revelou uma série de depósitos e saques em espécie sem justificativa econômica plausível. Segundo os investigadores, parte dos valores teria origem em empresas do agronegócio que possuíam litígios fundiários em trâmite no TJMT. Além do bloqueio de sigilos bancários, fiscais e telemáticos, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão.
Durante as diligências, foram encontrados itens de alto valor, incluindo um relógio Rolex modelo Complete Cookie Monster, avaliado em cerca de R$ 208 mil, e 11 canetas de luxo da marca Montblanc, com valores unitários entre R$ 7 mil e R$ 11 mil. Também foram apreendidos um fuzil, um revólver, uma pistola CZ Shadow 2 e diversas munições.
Posicionamento do parlamentar
Faissal Calil, que integrou o gabinete de Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018 antes de assumir seu mandato na Assembleia Legislativa, negou qualquer participação nas irregularidades. Em entrevista concedida nesta segunda-feira, o deputado afirmou que os objetos de luxo e as armas apreendidas não pertencem a ele e não foram retirados de sua residência. O parlamentar declarou que apenas seu aparelho celular foi entregue aos agentes e que aguarda a celeridade do processo para esclarecer os fatos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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