A articulação de Jayme Campos para entrar na corrida ao Governo de Mato Grosso ganhou fôlego nas últimas semanas, mesmo com o União Brasil dividido e sem o aval dos aliados do governador Mauro Mendes. O pré-candidato trabalha com dois caminhos para obter a vaga majoritária e, ao mesmo tempo, afastar a sigla do palanque de Otaviano Pivetta.
A primeira alternativa envolve as convenções partidárias, marcadas pela legislação eleitoral para o período de 20 de julho a 5 de agosto. Jayme pretende levar a decisão para esse foro interno, na expectativa de que a maioria dos delegados estaduais aprove seu nome. Caso consiga a vitória na votação, o União Brasil deixaria de apoiar Pivetta e passaria a defender candidatura própria ao Palácio Paiaguás.
Dirigentes próximos ao ex-governador vêm mapeando o posicionamento dos delegados habilitados a votar, confiantes de que o grupo favorável a Jayme formará maioria simples. Integrantes da ala contrária, ligada a Mauro Mendes, avaliam que a mobilização do senador ainda não é suficiente para reverter o ceticismo interno, mas reconhecem que o placar permanece em aberto.
A segunda possibilidade considerada por Campos é uma intervenção da direção nacional do União Brasil. O artigo 82 do estatuto partidário permite à executiva nacional determinar candidatura própria quando julgar necessário para ampliar o número de palanques regionais. Jayme aposta que essa prerrogativa pode ser acionada, sobretudo se a cúpula enxergar vantagem estratégica em Mato Grosso.
Interlocutores em Brasília avaliam que a nacional observa o desdobramento regional antes de formalizar qualquer decisão. Nos bastidores, o argumento de Jayme é o de que uma postulação competitiva da legenda em Mato Grosso reforçaria o projeto nacional do partido em 2026.
Enquanto o impasse persiste, líderes estaduais mantêm conversas paralelas para tentar reconstruir a unidade, mas, até o momento, não há calendário para uma reunião de reconciliação. A polarização interna tem dificultado negociações sobre alianças proporcionais e formação de chapas à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.
Apesar das incertezas, Campos intensifica viagens pelo interior e agendas em Cuiabá, reforçando a apresentação de propostas e buscando apoio de prefeitos e vereadores filiados. O movimento é visto como forma de pressionar estruturas partidárias e demonstrar viabilidade eleitoral antes da definição oficial.
Do lado oposto, aliados de Pivetta defendem que o União Brasil mantenha o atual arco de alianças, argumentando que uma candidatura própria elevaria o risco de fragmentação da base governista e poderia comprometer a composição de bancadas.
Com o calendário eleitoral em contagem regressiva, a escolha entre a força das convenções e a caneta da executiva nacional definirá se Jayme Campos, enfim, conseguirá oficializar sua presença na disputa pelo comando do Estado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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