Vereadores do Republicanos dizem que autor queria modificar resultado da eleição, manipulando o Judiciário com uma ação inconsistente.
Os quatro vereadores do Republicanos eleitos na eleição de 2024 suspiraram aliviados e viraram a página, com a decisão da juíza da 24ª Zona Eleitoral, Janaína Rebucci Dezanetti, que julgou improcedente ação que pedia a cassação da chapa do partido por fraude na cota de gênero.
A ação foi impetrada pelo ex-vereador Zé Eskiva contra a ex-candidata Dirce de Castro Ribeiro, os vereadores Naldo da Pista, Francisco Ramos da Silva, Francisco Ailton e a vereadora Leonice Klaus. E ainda o presidente do partido no município, Roberto Revelino.
No entanto, o advogado Carlos Eduardo Furim, que defendeu os vereadores e a ex-candidata que era acusada de ser ‘laranja’, afirmou que a ação era totalmente inconsistente.
“O ex-vereador na ação alegou que o Republicanos tinha inscrito a candidata Dirce para completar o percentual mínimo da proporção 70% /30 de gênero. Mas a ação dele era sem nenhuma esperança, porque o Republicanos inscreveu 10 candidatos homens e 6 candidatas mulheres. E se o partido tivesse apenas 4 candidatas mulheres, já seria suficiente”, aponta o advogado.
Para Carlos Eduardo, Zé Eskiva perdeu a eleição e acionou o Judiciário em uma ação que não tinha plausibilidade na procedência e usou as redes sociais para criar instabilidade e insegurança para as pessoas.
Ele também rebate as acusações de que Dirce de Castro seria candidata apenas para completar a cota de gênero. Enfatiza que ela mesma afirmou na audiência de instrução que quis ser candidata, recebeu material de divulgação e fez campanha. No entanto, apesar de seu esforço, conseguiu angariar apenas 12 votos.
“Ela recebeu santinho, fez campanha e pediu votos. Falar que ela era uma candidata laranja foi uma tentativa torpe de alguém que não obteve sucesso em sua reeleição e quis modificar o resultado, tentando manipular o judiciário e causando todo este frisson que houve em torno desta questão”, disse Carlos, se referindo a Zé Eskiva.
“Ele chegou a colocar em dúvida a higidez das decisões do presidente da Câmara, Francisco Ailton. A pessoa fica falando ‘olha, na semana que vem ele tá fora’. E como o processo estava sob segredo de justiça, não podíamos rebater estas inverdades para a população”, observa.
Na observância do advogado, a eleição foi atípica para novos candidatos, pois prevaleceu a preferência dos eleitores para quem já tinha mandatos, com índice alto de reeleição. Ele cita que dos 12 vereadores que concorreram à reeleição em Alta Floresta, 10 foram reeleitos. E uma vereadora, apesar de ter votação expressiva, seu partido não conseguiu o coeficiente eleitoral, assim como ex-vereadores que estavam fora, que conseguiram se eleger. E apenas três vereadores são estreantes na Câmara.
O vereador Naldo da Pista observa que a ex-candidata de seu partido fez campanha e usou todo o seu material. Ele observa que no setor onde ela mora, havia cerca de 9 candidatos a vereador.
“O ex-marido dela era candidato. E essa disputa interfere na votação, sobretudo para quem é iniciante. Mas o Republicanos fez uma campanha limpa e sem dinheiro. O resultado de 4 eleitos no Republicanos é uma prova disto”, disse Naldo.
A vereadora Leonice Klaus assegura que nunca teve preocupação de perder o mandato, porque sabia que a ação era sem embasamento. Porém, observa-se que o tumulto causado pelo ex-vereador Zé Eskiva, tentando criar esta situação, vai afastar ainda mais as mulheres do processo político.
“A gente estava de cabeça erguida, porque nossa campanha foi limpa e não fizemos nada errado. Mas as mulheres que foram candidatas sofreram ataques e ameaças depois das eleições, acusadas de serem candidatas laranjas. O que essa criatura queria fazer conosco é um absurdo”, disse a vereadora, se referindo ao ex-vereador autor da ação.
“Nas próximas eleições não haverá mais mulheres que queiram ser candidatas. E isto será um problema para os partidos”, observa Leonice.
AUTOR: JOSÉ VIEIRA – JORNAL MATO GROSSO DO NORTE
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