O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), optou por não defender publicamente seu correligionário, o senador Wellington Fagundes, pré-candidato ao Governo de Mato Grosso. A postura de Abilio surge em meio à repercussão na imprensa mato-grossense sobre a suposta participação de Fagundes no Fórum Jurídico de Lisboa, evento que ganhou o apelido de “Gilmarpalooza” em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, um dos organizadores.
abilio: cenário e impactos
Questionado nesta quinta-feira (5) sobre o potencial desgaste que a situação poderia gerar para a imagem da direita em um ano eleitoral, o prefeito enfatizou a responsabilidade individual de cada político. Segundo Abilio, cada ator público deve ser responsável pela gestão de sua própria imagem e pelas explicações fornecidas aos eleitores. “Cada escolha, principalmente no ano eleitoral, tem seus efeitos colaterais. A pessoa faz uma escolha e tem os efeitos colaterais da sua escolha”, declarou o prefeito, em tom de advertência.
Abilio Brunini também justificou sua ausência nos debates internos do partido sobre as composições majoritárias para o governo estadual, afirmando que sua rotina administrativa no Palácio Alencastro é intensa. “Estou totalmente fora desse processo eleitoral para governador. Estou tendo reunião direto com secretaria de saúde, educação e obras. Tenho saído da prefeitura às dez horas da noite”, explicou o chefe do Executivo municipal, indicando seu foco na gestão da capital.
Por sua vez, o senador Wellington Fagundes negou ter comparecido ao evento em Lisboa. Ele afirmou que sua viagem ao continente europeu teve como único propósito o cumprimento de uma promessa religiosa no Santuário de Fátima. Essa justificativa já havia sido apresentada ao deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que havia cobrado publicamente coerência do colega de partido, criticando a aproximação com integrantes da Suprema Corte brasileira presentes no fórum.
Em entrevista concedida também nesta quinta-feira (5), Fagundes reiterou que não esteve no evento. “O deputado Cattani já me ligou, eu já falei com ele. Foi muito clara a minha explicação para ele. Ele disse que foi induzido a um erro, inclusive disse que foi induzido a uma fake news. Não tem motivo de omitir se eu tivesse ido, qual o problema de ir? Eu quero deixar claro para vocês que eu não fui. É muito fácil, para acabar a polêmica, peça a certidão se o Wellington esteve lá ou não. Entrem no site do evento e peçam lá. Eu não estive em evento e eu já não fui de propósito, porque eu sabia que a polêmica existiria”, argumentou o senador.
Fagundes detalhou que a viagem foi realizada para agradecer o sucesso de uma cirurgia complexa de sua irmã e assegurou que o deslocamento não envolveu o uso de verba pública ou custeio pelo Senado Federal. Para reforçar sua versão, o senador chegou a publicar uma foto ao lado de um sacerdote católico no tradicional ponto de peregrinação português. Contudo, essa tentativa de mitigar a crise de imagem gerou uma contradição imediata nas redes sociais.
No vídeo divulgado pelo próprio pré-candidato para comprovar sua agenda religiosa, o padre que aparece ao seu lado exibe um crachá oficial de identificação do Fórum Jurídico de Lisboa pendurado no pescoço. Esse detalhe confirmou o vínculo do sacerdote com o evento que reuniu magistrados, políticos e empresários, alimentando ainda mais as críticas da ala da direita mato-grossense, que já vinha manifestando descontentamento com a presença da comitiva do estado em Lisboa.
O cenário político defendido por Fagundes, que busca uma aliança com o MDB para consolidar a candidatura de sua nora, a deputada estadual Janaina Riva, ao Senado, enfrenta forte resistência de prefeitos e parlamentares bolsonaristas. Enquanto setores do partido já demonstram apoio a nomes como o do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o episódio da viagem a Portugal amplia o isolamento de Wellington Fagundes e intensifica as cobranças por um posicionamento ideológico mais rígido dentro de sua base política.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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