Investigação aponta elo entre agronegócio e esquema no Judiciário
Uma nova fase das investigações da Polícia Federal, deflagrada na última segunda-feira (8) sob o nome de Operação Gemini, trouxe à tona indícios de que empresas do setor do agronegócio teriam realizado repasses financeiros suspeitos ao desembargador afastado Dirceu dos Santos. O magistrado, que já estava fora de suas funções desde março deste ano por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é o principal alvo de uma apuração que mira um suposto esquema de comercialização de sentenças judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Movimentações financeiras e falta de lastro
Os investigadores identificaram que os valores transferidos pelas empresas do agronegócio não possuíam lastro negocial comprovado. Segundo a apuração, essas companhias mantinham litígios agrários em tramitação no TJMT, o que levanta suspeitas sobre a motivação dos pagamentos. Além das transferências bancárias, a análise de dados financeiros revelou uma intensa circulação de recursos em espécie, com movimentações que superam a marca de R$ 3,2 milhões entre depósitos e saques.
Alvos da operação e conexões políticas
Além do desembargador Dirceu dos Santos, a operação aponta o envolvimento do deputado estadual Faissal Calil (PL) e do advogado Bruno Castro de Oliveira. A PF descreve o parlamentar como uma figura central no esquema, atuando como um braço direito do magistrado. O deputado, por sua vez, nega qualquer participação em irregularidades e afirmou que a ação policial se limitou à apreensão de seu aparelho celular.
Evolução patrimonial sob análise
O cerco contra Dirceu dos Santos foi intensificado após a quebra dos sigilos bancário e fiscal, que expôs uma evolução patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo magistrado. Dados do CNJ apontam que o desembargador movimentou mais de R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos. O crescimento mais acentuado foi registrado entre 2021 e 2023, período que coincide com os fatos investigados pela Polícia Federal. As evidências que sustentam a operação foram extraídas de dispositivos eletrônicos, relatórios de inteligência financeira e informações compartilhadas pelo Conselho Nacional de Justiça.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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