A 4ª Vara Cível de Cuiabá determinou o bloqueio de até R$ 30 milhões em bens e valores ligados ao grupo “Metaverso Investimento”, investigado por operar um esquema de pirâmide financeira que atingiu centenas de pessoas em Mato Grosso.
A decisão liminar, divulgada nesta quinta-feira (13), atende a pedido do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e busca garantir recursos para ressarcir consumidores lesados. De acordo com a promotoria, a empresa atraía investidores com promessas de ganhos mensais entre 5% e 10%, apresentando-se como experiente no mercado havia quase 20 anos, embora só tenha sido registrada em 2023.
Congelamento amplo de patrimônio
Para tornar o bloqueio efetivo, o Judiciário acionou os sistemas Sisbajud, Renajud e CNIB, congelando contas bancárias, aplicações financeiras, veículos e imóveis. Ofícios foram remetidos ao Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Superintendência de Seguros Privados (Susep) para rastrear eventuais planos de previdência e títulos de capitalização em nome dos investigados.
Entre os alvos estão os sócios Jonathan Rosa Vieira Bispo, 42 anos, e Alan Augusto Pires Costa, além das empresas Meta Pay, Multiverso Digital e Bispo Investiments. A ação tramita em segredo de justiça a fim de preservar a identidade das vítimas que colaboram com a investigação.
Operação Rede de Mentiras
O cerco ao grupo se intensificou em setembro de 2025, quando a Operação Rede de Mentiras prendeu preventivamente Jonathan Bispo em um apartamento de alto padrão na capital. Conforme o MPMT, a organização se valia de aplicativos como WhatsApp e Telegram para captar clientes, criando uma malha de empresas que dificultava a responsabilização patrimonial.
Relatos encaminhados ao Ministério Público indicam prejuízo superior a R$ 21 milhões, montante apurado a partir de queixas de atrasos em pagamentos e bloqueios de saques desde o início de 2024. A promotoria sustenta que, sem o congelamento, haveria risco de dilapidação do patrimônio antes da conclusão do processo e do eventual pagamento das indenizações.
Próximos passos
Com a liminar em vigor, o MPMT deve apresentar nos próximos dias a lista detalhada de vítimas e os respectivos valores a serem ressarcidos. Paralelamente, a defesa dos réus poderá contestar a medida, mas precisa comprovar a origem lícita dos recursos para tentar liberar parte dos ativos.
Não há prazo definido para o desfecho da ação civil pública, que ainda depende da análise de documentos contábeis, depoimentos de investidores e laudos periciais sobre a movimentação financeira do conglomerado.
Até o momento, a Justiça não autorizou acordos individuais. Eventuais restituições só serão processadas após a consolidação do crédito de cada investidor e a formação do quadro geral de credores.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Reporter MT
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