Brasília – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve desembarcar novamente na capital federal nesta segunda-feira, 15/9, para intensificar a articulação de um projeto de lei que conceda anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e às pessoas investigadas pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A informação foi confirmada pelo líder do PL na Câmara dos Deputados, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que espera contar com a presença do governador paulista em reuniões com parlamentares do Centrão. A estratégia de Tarcísio é convencer a Mesa Diretora da Câmara a incluir a proposta na pauta, apresentando-a como um gesto de “pacificação nacional”.
Movimento após discurso na Paulista
A retomada das conversas ocorre pouco depois do discurso de tom acentuadamente ideológico feito por Tarcísio durante manifestação bolsonarista na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo aliados, o governador avalia que reiterar a defesa da anistia é necessário para demonstrar fidelidade à base bolsonarista e, ao mesmo tempo, exibir capacidade de diálogo com partidos de centro – condição vista como fundamental para suas pretensões na eleição presidencial de 2026.
Resistência no Congresso
Apesar da mobilização, analistas políticos apontam baixas chances de avanço da proposta. O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), lembra que parlamentares do Centrão relutam em abraçar um tema que pode ser considerado inconstitucional e suscetível a veto do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Não há disposição para assumir esse desgaste”, afirmou.
Marco Antônio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), concorda que a aprovação é improvável. Para ele, ainda que a matéria conseguisse apoio suficiente na Câmara, enfrentaria forte oposição no Senado. “Existe quase um consenso de que a anistia é inconstitucional. O governador, porém, aposta justamente nessa pauta difícil para sinalizar confiança ao núcleo duro do bolsonarismo”, avaliou.
Jogo político de risco
Nos bastidores, interlocutores de Tarcísio admitem que a iniciativa é arriscada, mas consideram inevitável para manter o respaldo da família Bolsonaro. Assessores dizem que o governador pretende intensificar reuniões com deputados de siglas como PP, Republicanos e União Brasil, oferecendo interlocução direta com o Palácio dos Bandeirantes em troca de apoio ao texto.
Além de buscar espaço na pauta da Câmara, Tarcísio também quer medir a receptividade de um eventual substitutivo que contemple apenas parte dos investigados. A ideia seria facilitar a tramitação, preservando o principal objetivo político: demonstrar lealdade ao ex-presidente.
Clima de cautela
Até o momento, líderes das maiores bancadas mantêm cautela. Reservadamente, parlamentares afirmam que dificilmente a proposta será votada antes do fim do primeiro semestre legislativo. Mesmo assim, o retorno do governador a Brasília deverá aquecer as conversas sobre sucessão presidencial e reforçar sua exposição junto à ala conservadora do Congresso.
Com a agenda em Brasília, Tarcísio pretende permanecer na capital federal pelo menos até a quarta-feira (17/9), conciliando reuniões na Câmara e compromissos no Ministério da Infraestrutura, pasta que chefiou durante o governo Bolsonaro. Caso não consiga data para a votação, aliados esperam que ele faça novos deslocamentos nos próximos meses para manter o assunto em evidência.
Embora a viabilidade da anistia seja considerada remota entre especialistas e líderes partidários, o movimento é visto dentro do Republicanos como parte de uma estratégia de longo prazo, voltada a garantir o apoio do eleitorado bolsonarista raiz e a confiança de segmentos do mercado, essenciais para um projeto nacional em 2026.
Até a noite de domingo (14/9), integrantes da Mesa Diretora da Câmara não haviam confirmado se o tema entrará oficialmente na pauta desta semana. O presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), permanece em silêncio sobre o assunto desde as manifestações na Avenida Paulista.
Nos próximos dias, a interlocução de Tarcísio com parlamentares sinalizará se a proposta de anistia ganhará fôlego ou se continuará restrita ao campo simbólico, servindo mais como termômetro da disputa interna pela liderança do campo conservador que como uma iniciativa com chances reais de aprovação.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com base nas informações de Metrópoles
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