O senador Wellington Fagundes (PL-MT), pré-candidato ao governo de Mato Grosso, afirmou que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no Rio de Janeiro, configurou “campanha eleitoral antecipada” em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A apresentação trouxe o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, exaltando a trajetória política do petista.
“O que vimos não foi expressão artística; foi um ato de campanha antecipada”, escreveu Fagundes em suas redes sociais. O parlamentar acrescentou que o evento “ultrapassou qualquer limite de respeito” por, segundo ele, usar o Carnaval para “enaltecer um político e debochar da fé de milhões de brasileiros”.
Crítica à ala sobre religião
O ponto mais contestado pelos adversários de Lula foi a ala Neoconservadores em conserva, na qual integrantes desfilaram com fantasias de latas estampando a imagem de uma família tradicional. Para Wellington Fagundes, a alegoria representou “afronta direta” aos evangélicos, parcela expressiva do eleitorado conservador. “Fé não é instrumento eleitoral. Religião não é material de propaganda e não pode ser tratada com preconceito disfarçado de liberdade de expressão”, declarou.
O senador reforçou que o Brasil garante liberdade religiosa, devendo, portanto, “proteger e não ridicularizar” símbolos considerados sagrados. “Fé se respeita, não se usa, não se ataca e não se transforma em palanque”, concluiu.
Repercussão entre aliados de Bolsonaro
Outros nomes da direita também reagiram. O presidente estadual do PL, Ananias Filho, disse que houve desrespeito à legislação eleitoral e informou que o diretório nacional do partido pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para avaliar suposta propaganda extemporânea.
Na Câmara dos Deputados, o coronel Assis (PL-MT) classificou o desfile como “flagrante desrespeito à lei” e alegou que Lula utilizou o evento para “debochar de Jair Bolsonaro e se autopromover”. Já na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Elizeu Nascimento (Novo) defendeu que o presidente seja declarado inelegível.
Pontos contestados
Os críticos alicerçam seus argumentos no artigo 36 da Lei das Eleições, que proíbe a promoção eleitoral antes do período oficial de campanha, e citam ainda a legislação que protege manifestações religiosas contra escárnio público. Até o momento, não há confirmação de que uma representação formal tenha sido protocolada no TSE.
Em contraponto, dirigentes da escola de samba sustentam que o desfile apenas celebrou a trajetória de um personagem histórico, sem pedido explícito de votos, e que o tema está protegido pela liberdade de manifestação cultural.
O episódio ocorre em ano pré-eleitoral, quando pré-candidatos intensificam agendas e a fiscalização sobre possíveis irregularidades se torna mais rigorosa. Caso o TSE seja provocado, caberá à Corte analisar se a apresentação extrapolou os limites do Carnaval para se tornar peça de propaganda.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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