A operação coordenada pelo delegado André Victor de Oliveira Leite, com apoio do Núcleo de Inteligência da Delegacia Regional, prendeu um casal de Alta Floresta e um advogado de Sinop acusados de integrarem uma organização que se estende por Alta Floresta, Carlinda, Sinop e Cuiabá.
Na manhã desta Quarta-feira (16/7), a “Operação Heresia” é uma ofensiva para desmantelar uma intrincada rede criminosa de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, que busca desarticular um esquema que movimentava milhões e envolvia diferentes núcleos de atuação, como se fossem as engrenagens de um relógio que opera à margem da lei.
A coordenação da Delegacia de Polícia de Alta Floresta, com apoio do Núcleo de Inteligência da Delegacia Regional, foi fundamental para o cumprimento simultâneo das ordens judiciais. A Heresia não é apenas uma caça a traficantes; ela mira o coração financeiro do crime. Foram expedidos um mandado de prisão preventiva, quatorze mandados de busca e apreensão, e onze intimações para monitoramento eletrônico, além de quatro ordens de bloqueio e sequestro de bens. Há também o bloqueio de contas bancárias no valor de até R$ 2 milhões por alvo principal, o que demonstra a amplitude da investigação.
O alvo principal da operação é um advogado, que já tinha sido condenado por associação criminosa. Morador de um condomínio de luxo em Sinop, ele agora vê seus bens de alto valor, incluindo veículos e joias, sendo sequestrados e apreendidos.
Em Alta Floresta, um casal foi pego em flagrante com porções e envelopes de cocaína, um lembrete vívido do lado mais visível do tráfico.
Já em Cuiabá, uma empresa de produtos eletrônicos, supostamente utilizada para a lavagem de dinheiro, teve suas atividades suspensas. O local, que abrigava dois andares de mercadorias, não possuía qualquer sistema de controle, emissão de notas ou livros contábeis, um indício claro de irregularidade. O estabelecimento foi lacrado pela Secretaria Municipal de Ordem Pública.
Teias financeiras e jurídicas: como o crime se organiza
A investigação revelou a complexidade do grupo, que se ramifica em núcleos operacionais, jurídicos e financeiros.
Um sofisticado sistema de contabilidade do tráfico foi desvendado, com movimentações bancárias milionárias e o uso de empresas de fachada, que serviam como véus para a ilicitude. A pulverização de depósitos era uma tática para mascarar a origem dos recursos, uma manobra astuta para enganar as autoridades.
As ordens judiciais foram resultado de um esforço conjunto de diferentes juízos. Os mandados para os investigados locais foram autorizados pela 4ª Vara Criminal da Comarca de Alta Floresta. Já as medidas que visavam o núcleo financeiro e jurídico do grupo foram autorizadas pelo Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo) de Cuiabá, que contou com a manifestação do coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (Gaeco-MT).
Ao todo, cerca de 40 policiais civis estiveram envolvidos na ação. Agentes das Delegacias de Polícia de Alta Floresta, Sinop, Sorriso, Colíder, Paranaíta, Apiacás, Nova Bandeirantes, e do Núcleo de Inteligência da Regional de Alta Floresta, bem como da DENARC de Cuiabá, uniram forças para a empreitada, mostrando a capilaridade da Polícia Civil no combate ao crime organizado.
Por que “heresia”?
O nome “Heresia” foi escolhido para a operação por simbolizar a escolha deliberada dos investigados por um caminho que desafia a legalidade. Eles, de certa forma, cometeram uma “heresia” contra os valores fundamentais da ordem jurídica e social, optando por viver à margem das regras. A operação, sob a coordenação do delegado André Victor de Oliveira Leite, busca não só prender os envolvidos, mas, sobretudo, descapitalizar essas facções criminosas que atuam em nível regional e têm impacto estadual, cortando o fluxo financeiro ilícito que irriga o tráfico de entorpecentes em Mato Grosso. É uma tentativa de estrangular a máquina financeira do crime, para que ela não possa mais se alimentar do dinheiro sujo.
Com informações do Conexão MT
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