A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, nesta terça-feira (16/09/2025), a convocação de seis pessoas ligadas a Antônio Carlos Camilo, o “Careca do INSS”, para prestarem depoimento como testemunhas.
Entre os convocados estão a esposa de Camilo, Tania Carvalho dos Santos, e o filho dele, Romeu Carvalho Antunes. Ambos são sócios do investigado em empresas apontadas como parte do esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
Também deverão comparecer à CPMI:
- Milton Salvador de Almeida Júnior, sócio de Camilo;
- Rubens Oliveira Costa, sócio de Camilo;
- Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, advogado citado nas investigações;
- Cecília Montalvão Queiroz, esposa de Maurício Camisotti, considerado articulador do esquema.
Motivo das novas convocações
A deliberação ocorreu após a ausência de Antônio Camilo na sessão de segunda-feira (15). O relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, determinou que a presença do investigado perante a comissão seria facultativa, o que permitiu ao suspeito não comparecer.
A decisão provocou reação imediata dos parlamentares. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), classificou a medida como um “desrespeito ao Parlamento”. Segundo ele, a Constituição já assegura o direito de o depoente permanecer em silêncio, mas não autoriza o Supremo a dispensar sua presença: “Quando o Supremo não tiver decisão clara sobre determinado assunto, não cabe ao Supremo legislar”, afirmou.
Cobrança por prisões pendentes
No mesmo debate, o deputado Rogério Correia (PT-MG) criticou o entendimento do ministro. Ele recordou que André Mendonça autorizou a prisão preventiva de Camilo e de Camisotti, mas negou o pedido de prisão do advogado Nelson Wilians, apontado pela Polícia Federal como elo para lavagem de dinheiro.
“A PF demonstrou que o que vinha do Careca ia para o Camisotti, do Camisotti para esse advogado, e dele saía a lavagem”, declarou Correia, acrescentando que apresentará requerimento para que o STF reveja a negativa de prisão de Wilians. A proposta será votada na reunião da CPMI marcada para quinta-feira (29).
Próximos passos
Com a convocação aprovada, a comissão definirá datas para ouvir os seis testemunhos. Parlamentares esperam que as novas oitivas esclareçam a participação dos familiares e associados de Camilo no desvio de recursos de beneficiários do INSS e apontem eventuais responsáveis pela movimentação financeira considerada suspeita pela Polícia Federal.
Até a conclusão dos trabalhos, os integrantes da CPMI afirmam que continuarão solicitando que o Supremo garanta a presença de investigados e colaboradores, mesmo com o direito constitucional ao silêncio, para viabilizar o avanço das investigações.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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