São Paulo – Centenas de pessoas se reuniram na manhã desta quarta-feira (17/9) em frente ao Centro Empresarial Itaú Conceição (Ceic), no Jabaquara, zona sul da capital, para protestar contra a dispensa de aproximadamente mil trabalhadores do banco Itaú Unibanco. A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e contou com a presença de parte dos funcionários desligados no dia 8 de setembro.
Segundo o sindicato, a convocação ocorreu durante uma transmissão ao vivo realizada no início da semana. Desde cedo, manifestantes bloquearam acessos ao prédio, o que impediu que diversos empregados escalados para o turno presencial conseguissem entrar. A Polícia Militar foi acionada e permaneceu no local para acompanhar o ato.
Demissões e alegação de baixa produtividade
O Itaú demitiu cerca de mil colaboradores, alegando problemas de desempenho relacionados ao trabalho remoto. Em nota divulgada na ocasião, a instituição informou que os cortes resultam de processos internos de avaliação de performance e alinhamento cultural. O banco destacou ter identificado “minoria de colaboradores em jornadas de trabalho remoto com baixos níveis de atividade digital”, citando casos nos quais a produtividade não passava de 20% da jornada ao longo de quatro meses, mesmo com registro de horas extras.
Como exemplo, a empresa mencionou uma equipe de 316 analistas que apresentava média de 72% de atividade digital; entre os dispensados, o índice variava entre 27% e 37%. Em outra área, um analista registrou 39% de atividade frente a uma média de 75% do grupo. Para o Itaú, o patamar de 75% é considerado adequado, levando em conta intervalos, sazonalidades e pausas.
Reação sindical e medidas judiciais
Para o Sindicato dos Bancários, as demissões violam a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria e a legislação brasileira, que determina negociação prévia com a entidade sindical em casos de cortes em massa. Em comunicado, a entidade classificou as dispensas como “injustificáveis”, sobretudo após o Itaú registrar lucro superior a R$ 22,6 bilhões no último semestre. O sindicato informou que vai ingressar na Justiça para obter a reintegração dos trabalhadores e responsabilizar o banco.
MPT abre investigação
O episódio também será analisado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Após representação apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), o órgão deu prazo de 10 dias para que o Itaú entregue documentos sobre o processo, incluindo a lista dos demitidos. “É absurdo que um banco explore, se aproveite, submeta o trabalhador à exaustão, o demita e depois ainda o difame publicamente”, afirmou a parlamentar em suas redes sociais.
Posicionamento do banco
Procurado para comentar a manifestação desta quarta-feira, o Itaú Unibanco enviou resposta. O espaço continua aberto para eventual posicionamento.
As negociações entre o sindicato e o banco ainda não têm data marcada. Enquanto isso, os trabalhadores prometem manter a mobilização e pressionar por uma solução que reverta as demissões.
NOTA EMITIDA PELO ITAÚ
Em nota encaminhada à redação, o Banco Itaú respondeu às acusações dos sindicalistas.
“O Itaú Unibanco respeita o movimento realizado pelos sindicatos e reafirma seu compromisso com o diálogo contínuo e transparente sobre as condições de trabalho.
Em relação aos desligamentos recentes, o banco reitera que as decisões foram tomadas de forma criteriosa e individualizada, com base em evidências concretas de marcações simultâneas de horas extras e atividade digital incompatível com a jornada registrada, configurando quebra de confiança.
O Itaú Unibanco reforça que atua com responsabilidade e equidade nas relações de trabalho, sempre buscando preservar a integridade dos processos e o respeito aos colaboradores.”
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
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