O uso de expressões de baixo calão em eventos oficiais e entrevistas ganhou força entre autoridades de Cuiabá e Mato Grosso ao longo de 2025. De abril a outubro, prefeitos, vereadores, um locutor de rodeio e até o governador recorreram a palavrões em discursos públicos, gerando críticas de especialistas em comunicação, direito e jornalismo.
A série de episódios começou em abril, durante a tradicional exposição agropecuária da capital. Ao anunciar atrações do rodeio, um locutor gritou no microfone: “aqui é Bolsonaro, porra!” e emendou um recado à esquerda: “vá à puta que pariu”. Na mesma ocasião, o prefeito de Cuiabá comparou o então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a “bosta”.
Em agosto, o chefe do Executivo municipal voltou a usar o termo. Desta vez, ao falar sobre ensino superior, classificou a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) como “bosta”, reforçando o tom ofensivo. O vocábulo designa fezes e, no sentido figurado, algo sem valor.
Nas últimas semanas, o vocabulário chulo atravessou a arena legislativa. Em uma sessão da Câmara de Cuiabá, uma vereadora chamou o debate no plenário de “putaria”. Em data distinta, outro parlamentar dirigiu-se a um colega chamando-o de “bosta”. Fora do parlamento, o governador de Mato Grosso afirmou que “tem gente falando merda por aí” ao rebater críticas públicas.
Especialistas reprovam
Para o professor e pesquisador Thiago Cury, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMT, tais expressões não contribuem para o debate de temas que preocupam a sociedade. “É uma linguagem que não acrescenta. Ao contrário, muitas vezes desvia a atenção dos problemas reais”, avaliou.
O jornalista Montezuma Cruz segue a mesma linha. Segundo ele, agentes públicos devem cuidar do vernáculo, “rico em sinônimos”. Em sua visão, recorrentes palavrões passam a impressão de baixa escolaridade ou desprezo pelo estudo e pela civilidade.
O advogado Mário Olímpio Medeiros Neto lembra que, ao assumir um cargo, a pessoa representa a instituição e precisa zelar pelo respeito. Para ele, o uso de termos vulgares em discursos políticos costuma ser calculado. “Cargos públicos são difíceis de conquistar; quem chega até eles usa estratégia. Muitas vezes, o objetivo é dialogar com parte da população que também perdeu o respeito pelo cargo público”, declarou.
Medeiros Neto aponta, contudo, o risco de confundir o caráter público da função com interesses pessoais. Ele ressalta que, embora algumas camadas da sociedade não se incomodem, a prática pode comprometer a imagem das instituições.
Decoro em debate
A repetição de palavras ofensivas reacendeu discussões sobre decoro parlamentar e o papel exemplar de governantes. No âmbito legislativo, regimentos internos preveem sanções que vão de advertência a suspensão. Já no Executivo, o comportamento é avaliado politicamente pelos eleitores e, em alguns casos, pelo Ministério Público.
Enquanto não há sinais de arrefecimento no tom, especialistas defendem que figuras públicas retomem padrões de linguagem que privilegiem o conteúdo das propostas e respeitem o espaço institucional.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de eh fonte
- Ingressos de Fortaleza x Palmeiras já estão à venda - 14 de julho de 2026
- Morador reage à invasão de residência, atira contra suspeito e caso será investigado em Alta Floresta - 6 de julho de 2026
- Marcha para Jesus reúne fiéis e espera Flávio Bolsonaro - 20 de junho de 2026
↓ OUÇA AO VIVO - RÁDIO ADRENALINA ↓
↓ BAIXE GRÁTIS O APP NESTE BANNER ↓
Entre no grupo MatoGrossoAoVivo do WhatsApp e receba notícias em tempo real - (CLIQUE AQUI) -








Assine o Canal










Adicionar comentário