O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão do contador Washington Travassos de Azevedo. A medida, que foi expedida recentemente, está ligada a um suposto esquema de acesso ilegal a dados sigilosos de diversas autoridades e seus familiares, conforme apurado pelas investigações em curso.
Travassos é acusado de envolvimento na obtenção de informações fiscais protegidas por sigilo funcional. A decisão judicial atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), que obteve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo informações do STF, o contador foi apontado como um dos responsáveis pela coordenação da cadeia de obtenção desses dados.
As investigações detalham que Travassos teria acessado, de forma irregular, as Declarações de Imposto de Renda de 1.819 contribuintes. O período de acesso ilícito apontado compreende os meses entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2026. Entre as vítimas identificadas estão pessoas vinculadas a ministros do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU), além de deputados federais, ex-senadores, ex-governadores, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras figuras de notoriedade pública.
Em depoimento à Polícia Federal, o contador afirmou ter atuado como um intermediário. Ele teria feito a ponte entre um indivíduo interessado em obter dados da Receita Federal e outro que alegava ter acesso às informações confidenciais. Os nomes citados pelo investigado foram entregues aos policiais, mas permanecem sob sigilo.
Entre os dados obtidos ilegalmente, foram encontradas informações fiscais da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Este vazamento ocorre em meio a uma situação de crise no STF envolvendo um contrato de R$ 129 milhões da advogada com o Banco Master. O proprietário da instituição financeira, Daniel Vorcaro, encontra-se atualmente detido por fraude financeira e está em processo de negociação para uma delação premiada.
A investigação em questão tem como pano de fundo uma apuração interna do STF sobre a possível quebra de sigilo fiscal de ministros da Corte e de seus parentes, que teria sido atribuída a servidores da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O caso está inserido no inquérito das chamadas fake news, aberto em 2019, que ainda não foi concluído e tramita sob sigilo.
Em janeiro de 2026, o ministro Moraes iniciou de ofício uma investigação para rastrear possíveis acessos irregulares aos dados. No mês seguinte, em fevereiro, a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em diferentes localidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
A defesa de Washington Travassos de Azevedo informou que, até o presente momento, não obteve acesso à decisão que decretou a prisão do contador, nem a outros documentos que fazem parte do processo. O advogado Eric Cwajgenbaum criticou publicamente a falta de resposta aos requerimentos apresentados ao gabinete do ministro.
Esta é a primeira prisão de conhecimento público no âmbito da investigação que apura o vazamento de dados de integrantes do Supremo Tribunal Federal. Anteriormente, as medidas adotadas nas apurações incluíam apenas buscas e apreensões, e a utilização de tornozeleira eletrônica.
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