A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) e a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) intensificaram a campanha de orientação sobre os riscos da brucelose, enfermidade que pode ser transmitida ao ser humano principalmente pelo consumo de leite cru e derivados sem inspeção sanitária. O alerta foi divulgado nesta segunda-feira (27) para produtores rurais e consumidores de todo o estado.
Doença silenciosa
A brucelose provoca febre prolongada, fadiga, dores articulares, suores noturnos e perda de apetite, sintomas que podem ser confundidos com gripe ou dengue. A infecção ocorre ao ingerir produtos lácteos contaminados ou pelo contato direto com sangue, placenta ou outras secreções de animais infectados.
Ações no campo
No rebanho, a prevenção é conduzida pela Agrodefesa por meio de:
- registro e monitoramento dos animais;
- assistência técnica aos produtores;
- fiscalização da vacinação obrigatória de bezerras bovinas e bubalinas entre 3 e 8 meses de idade.
Segundo a gerente de Sanidade Animal da autarquia, Denise Toledo, a imunização é a principal barreira para evitar que a doença se espalhe. Animais diagnosticados como positivos devem ser sacrificados para proteger o plantel e reduzir prejuízos econômicos.
Rigor na indústria e nos artesanais
A Agrodefesa mantém inspeção permanente em laticínios registrados, verificação de boas práticas de fabricação e rastreabilidade da matéria-prima. O gerente de Inspeção, Paulo Viana, salienta que produtos sem selo oficial “podem esconder perigos invisíveis” e recomenda que o consumidor verifique sempre a presença do registro sanitário na embalagem.
Além das indústrias, queijos artesanais produzidos com leite cru também estão sujeitos a controle. Somente estabelecimentos certificados podem comercializar esses itens, desde que cumpram requisitos de higiene e testes laboratoriais.
Orientações ao público
O coordenador de Zoonoses da SES-GO, Fabrício Augusto de Sousa, reforça medidas simples para reduzir o risco de infecção:
- beber apenas leite pasteurizado, UHT ou esterilizado;
- adquirir queijos e derivados com selo de inspeção federal, estadual ou municipal;
- utilizar luvas e máscara ao manipular animais ou material biológico;
- buscar atendimento médico caso apareçam sintomas suspeitos.
A recomendação vale especialmente para quem compra alimentos em feiras livres, mercados informais e pontos de venda rurais, onde a fiscalização é limitada.
Números da doença em Goiás
Dados da SES-GO apontam 34 casos humanos notificados em 2024. Entre janeiro e setembro de 2025, foram registrados outros 24. As autoridades avaliam que a subnotificação ainda é elevada, razão pela qual a mobilização envolve produtores, comerciantes e consumidores urbanos.
Consequências econômicas
Além de representar risco à saúde pública, a brucelose causa perdas significativas na pecuária por queda de produtividade, descarte de animais e restrições comerciais. O controle efetivo no campo e o consumo responsável na cidade são considerados essenciais para proteger a cadeia do leite em Goiás.
As ações de fiscalização e conscientização continuam em todo o estado, com equipes da Agrodefesa realizando visitas a propriedades, laticínios e pontos de venda para garantir que apenas produtos seguros cheguem à mesa do consumidor.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Portal do Agronegócio
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