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Banco Central Mantém Selic em 15% ao Ano, Interrompendo Ciclo de Altas

O Banco Central decidiu nesta quarta-feira (30) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, interrompendo o ciclo de altas que vinha desde setembro de 2024. A decisão foi unânime pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e já havia sido sinalizada na reunião anterior, em junho. Agentes financeiros e economistas do mercado já esperavam essa pausa após sete aumentos consecutivos.

Desde setembro do ano passado, a Selic acumulou alta de 4,5 pontos percentuais, atingindo o maior patamar em quase 20 anos. O último nível similar foi registrado em 2006, quando a taxa ficou em torno de 15,25% ao ano por quase dois meses, na reta final do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação, influenciando diretamente as taxas cobradas em empréstimos, financiamentos e o rendimento das aplicações financeiras. Apesar da manutenção da taxa em 15%, o índice de inflação oficial do país, o IPCA, permanece acima do teto da meta definida pelo governo, que é de 4,5%, acumulando alta de 5,35% nos últimos 12 meses.

Segundo dados recentes do IPCA-15, referentes à primeira quinzena de julho, a inflação apresenta uma leve desaceleração, mas ainda registrou alta de 0,33%, impulsionada principalmente pela bandeira vermelha na conta de energia elétrica. Esse cenário reforça a cautela do Banco Central, que vem justificando o estouro da meta de inflação ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Na última reunião, o Copom indicou que faria uma pausa para avaliar os impactos dos aumentos anteriores e analisar se a manutenção da taxa em nível elevado por um período prolongado seria suficiente para garantir a convergência da inflação para a meta estipulada. A decisão desta quarta-feira confirma essa estratégia.

A última vez que o Banco Central havia cortado a Selic foi em maio de 2024, quando a taxa foi reduzida para 10,5% ao ano. Desde então, foram feitas duas manutenções antes de iniciar o ciclo de alta que agora foi interrompido.

Eis a íntegra do comunicado do Copom:

​O ambiente externo está mais adverso e incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos. Consequentemente, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica tem apresentado, conforme esperado, certa moderação no crescimento, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,1% e 4,4%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê tem acompanhado, com particular atenção, os anúncios referentes à imposição pelos EUA de tarifas comerciais ao Brasil, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Além disso, segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma continuação na interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

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