O Tribunal do Júri do Gama condenou, nesta terça-feira (23/9), Wallison Felipe de Oliveira a 67 anos, 6 meses e 14 dias de prisão em regime inicialmente fechado. Ele foi responsabilizado pelo homicídio qualificado da ex-companheira Juliana Andrade Soares, 34 anos, e pelas tentativas de homicídio contra a filha da vítima, de 5 anos, e a mãe dela, uma idosa.
Os jurados acataram todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT): motivo torpe, emprego de meio cruel, feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar e recurso que dificultou a defesa das vítimas. O entendimento do conselho de sentença foi de que a conduta do réu configurou extrema perversidade, colocando em risco três gerações da mesma família.
Como ocorreu o crime
O atropelamento aconteceu em 20 de agosto de 2024, entre 22h50 e 23h, na Quadra 3 do Setor Sul do Gama, Distrito Federal. Naquela noite, Juliana comemorava aniversário em um bar quando Wallison apareceu e teria ameaçado matá-la. Ao deixar o estabelecimento, a vítima caminhava pela rua acompanhada da filha e da mãe quando o réu avançou com o carro sobre as três.
Testemunhas relataram que Wallison manobrou o veículo e atingiu a ex-companheira repetidamente. Durante uma das investidas, a criança e a avó também foram atropeladas, mas sobreviveram. Juliana não resistiu aos ferimentos.
Denúncia e julgamento
O MPDFT formalizou a denúncia em 9 de setembro, menos de um mês após o crime. Em plenário, o promotor de Justiça Daniel Bernoulli destacou que a comunidade do Gama, representada pelos jurados, deu “resposta exemplar” ao não tolerar feminicídios e à tentativa de exterminar três mulheres da mesma família.
Além da condenação por homicídio triplamente qualificado, Wallison recebeu penas específicas pelas tentativas de homicídio contra a criança (vítima menor de 14 anos) e contra a idosa (vítima maior de 60 anos), circunstâncias que resultaram no aumento da pena total.
Com a sentença proferida, o réu permanecerá preso em regime fechado e ainda pode recorrer, mas não deixará a prisão enquanto o recurso tramita, conforme determina a legislação para casos de homicídio qualificado por feminicídio.
O caso reforçou discussões sobre violência de gênero e proteção às vítimas, especialmente na capital federal, onde campanhas de combate ao feminicídio têm sido intensificadas pelos órgãos de segurança e pelo Ministério Público.
Wallison Felipe de Oliveira foi encaminhado de volta ao sistema penitenciário do Distrito Federal logo após o julgamento. A defesa não se manifestou à imprensa até a última atualização desta reportagem.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Metrópoles
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