A concentração de apenas seis cultivos na base da alimentação mundial passou a constar, oficialmente, da agenda do G20. Na reunião realizada em novembro de 2025, na África do Sul, o grupo incluiu no comunicado final a necessidade de enfrentar a chamada “tríplice monotonia” do sistema agroalimentar – conceito formulado pelo filósofo e sociólogo brasileiro Ricardo Abramovay.
Segundo o pesquisador da Cátedra Josué de Castro da USP, o modelo dominante exibe três características principais: baixa diversidade agrícola, criação animal intensiva e dependente de antibióticos e crescimento do consumo de ultraprocessados. Para Abramovay, essas práticas formam um pacote insustentável tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública.
Os números que sustentam o diagnóstico chamam a atenção. De aproximadamente 7 mil espécies comestíveis conhecidas, apenas 400 são cultivadas em escala comercial. Ainda assim, 75% das calorias ingeridas no planeta vêm de seis itens – trigo, milho, arroz, batata, soja e cana-de-açúcar. Dois terços de tudo o que chega ao prato deriva desses mesmos produtos, indicando uma perda contínua de variedade nos sistemas produtivos e na dieta das populações.
Antibióticos sob pressão
Entre as recomendações aprovadas pelos chefes de Estado está a redução do uso de antibióticos na pecuária, especialmente em granjas de aves e suínos. O documento lembra que essas cadeias dependem fortemente de medicamentos para acelerar o ganho de peso dos animais e prevenir doenças em ambientes de alta densidade, prática que contribui para o surgimento de superbactérias resistentes – problema reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como uma das maiores ameaças sanitárias atuais.
A monótona paisagem agrícola também potencializa impactos climáticos. Grandes extensões dedicadas a poucos cultivos concentram fertilizantes sintéticos e defensivos químicos, elevando a emissão de gases de efeito estufa e reduzindo serviços ecossistêmicos essenciais, como a polinização e o sequestro de carbono no solo.
Propostas de transição
Para mostrar caminhos alternativos, Abramovay e o sociólogo Arilson Favareto organizaram o livro “Caminhos para a transição do sistema agroalimentar: desafios para o Brasil”, lançado pela Editora Senac há três meses. A publicação reúne artigos sobre agricultura regenerativa, maior uso de bioinsumos e adoção de paisagens produtivas heterogêneas – estratégias apontadas como capazes de ampliar a resiliência climática e melhorar a renda de agricultores de diferentes portes.
No campo da pesquisa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem desenvolvido cultivares e tecnologias voltadas a ampliar a diversidade de espécies plantadas, oferecendo novas opções de renda e adaptação às mudanças do clima. A aposta em variedade, defende a instituição, reduz riscos de perdas por eventos extremos e diminui a necessidade de insumos químicos.
Do campo à mesa
Apesar dos avanços, especialistas reconhecem que romper a dependência de um cardápio restrito exigirá ação coordenada de governos, empresas, produtores e consumidores. Políticas públicas de incentivo, melhoria logística, pesquisa tecnológica e valorização de alimentos frescos são apontadas como etapas fundamentais para diversificar a oferta e garantir segurança alimentar.
Enquanto discussões ganham fôlego no plano internacional, a orientação aos consumidores segue direta: priorizar produtos in natura ou minimamente processados e valorizar a gastronomia regional podem contribuir para reduzir a monotonia que hoje domina os pratos em Nova Délhi, Tóquio ou Sinop.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Eh Fonte
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