O governo federal determinou, nesta segunda-feira (8), a interrupção imediata da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida, classificada como preventiva pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ocorre após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves entre os indivíduos que receberam o imunizante.
Investigação sobre óbitos e reações adversas
A decisão foi tomada após o monitoramento de 500 mil doses aplicadas desde janeiro em três cidades brasileiras selecionadas como polos de teste: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). O público-alvo da estratégia compreendia profissionais da atenção primária, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde.
Dentre os casos notificados, três pacientes evoluíram para quadros de dengue grave, resultando em dois óbitos. Em um dos casos, uma mulher de 48 anos apresentou complicações neurológicas 19 dias após a imunização. No segundo caso, um homem de 58 anos faleceu após desenvolver febre cinco dias após a vacinação, com rápida progressão para choque refratário.
Cautela e análise técnica
O Ministério da Saúde enfatizou que, embora a suspensão seja uma medida de segurança, ainda não existe uma confirmação científica de causalidade direta entre a vacina e as mortes registradas. O diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, destacou que o imunizante passou por rigorosos testes clínicos, incluindo 16 estudos de fase 1 nos Estados Unidos e ensaios de fase 2 e 3 com cerca de 11 mil voluntários antes de sua aprovação pela Anvisa em dezembro de 2025.
Orientações para a população vacinada
As autoridades sanitárias orientam que qualquer pessoa que tenha recebido a dose do Butantan nos últimos 21 dias deve buscar atendimento em uma unidade de saúde para monitoramento clínico. As doses remanescentes foram bloqueadas e não podem ser utilizadas até que novas diretrizes sejam emitidas pelo governo federal.
É importante ressaltar que a suspensão é restrita ao imunizante do Butantan utilizado nos projetos-piloto. A vacina contra a dengue que compõe o calendário regular do SUS, destinada a crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, segue sendo aplicada normalmente, sem qualquer alteração em seu cronograma ou recomendação de uso.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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