A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (8) a Operação Gemini, que colocou sob investigação o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o desembargador Dirceu dos Santos, este último já afastado de suas funções pela Justiça. A ação visa desarticular um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que teria movimentado uma impressionante quantia de aproximadamente R$ 3,2 milhões.
A Conexão Histórica e a Confiança Mantida
As investigações revelam uma ligação de longa data entre os dois alvos da operação. O deputado Faissal Calil atuou como assessor direto do desembargador Dirceu dos Santos em seu gabinete no TJMT entre os anos de 2017 e 2018. Essa relação profissional foi interrompida quando Faissal assumiu sua cadeira como deputado estadual na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Contudo, a apuração da Polícia Federal indica que a confiança entre eles permaneceu inabalável, a ponto de o parlamentar ser apontado como o “braço direito” do desembargador na complexa teia criminosa.
O Mecanismo do Esquema e a Lavagem de Dinheiro
No cerne da Operação Gemini, o deputado Faissal é investigado por desempenhar um papel crucial como principal articulador operacional do esquema. Ele seria responsável por facilitar o recebimento de vantagens indevidas, quitar passivos familiares do desembargador e realizar intrincadas triangulações imobiliárias simuladas. Essas transações, que envolviam terceiros conhecidos como “laranjas”, tinham como objetivo primordial conferir uma falsa aparência de legalidade aos recursos financeiros obtidos de maneira ilícita, mascarando a origem da propina.
A prática de “venda de sentenças” configura um grave desvio de conduta, onde decisões judiciais seriam negociadas em troca de benefícios financeiros, comprometendo a imparcialidade e a integridade do sistema de justiça. A utilização de “laranjas” e triangulações imobiliárias, por sua vez, são métodos clássicos de lavagem de dinheiro, visando integrar os valores ilícitos na economia formal sem levantar suspeitas.
A Origem da Investigação e os Próximos Passos
As bases para a Operação Gemini foram solidificadas a partir de um minucioso trabalho de inteligência. As investigações tiveram início com a análise de dados extraídos de celulares dos envolvidos, relatórios detalhados de inteligência financeira e um valioso compartilhamento de informações com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A atuação conjunta dessas frentes permitiu à Polícia Federal Polícia Federal traçar o modus operandi do esquema e identificar os papéis de cada um dos envolvidos.
O afastamento do desembargador Dirceu dos Santos pela Justiça já sinalizava a gravidade das acusações que pesavam sobre ele. Agora, com a deflagração da Operação Gemini e as novas evidências que apontam para a participação ativa do deputado Faissal Calil, a investigação avança para desvendar completamente a extensão e os responsáveis por este suposto esquema de corrupção no Judiciário mato-grossense.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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