
O regime comunista da China libertou nove membros da Igreja Zion após o encerramento do período máximo de detenção investigativa permitido pela legislação local, mas manteve presos os nove líderes da congregação, que passaram a responder a novas acusações de operações religiosas tidas pela ditadura como ilegais e fraude.
Os libertados, entre eles Sun Cong, Liu Jiang, Li Shengjuan e Wei Yunfei, estavam detidos no centro de detenção de Beihai, na província de Guangxi, desde outubro de 2025. Familiares os aguardavam do lado de fora, e a organização ChinaAid informou que todos aparentavam boa condição física e mental.
Perseguição em massa
As prisões começaram entre os dias 9 e 11 de outubro de 2025, quando cerca de 30 pastores e membros da Zion foram detidos em operações noturnas simultâneas em diversas regiões do país. Entre os presos estava o pastor fundador Ezra Jin Mingri, detido em Beihai após dez agentes revistarem sua residência.
As acusações iniciais foram de “uso ilegal de informações da internet”, enquadramento ligado ao novo Código de Conduta Online para Profissionais Religiosos, implementado pelo governo em setembro de 2025, que restringe conteúdos religiosos online a canais aprovados pelo Estado. A ofensiva foi descrita como a mais brutal contra cristãos na China desde 2018.
Igreja Zion

Fundada em Pequim pelo pastor Ezra Jin Mingri, formado na Universidade de Pequim e em seminários nos Estados Unidos, a Igreja Zion cresceu para cerca de dez mil fiéis em quarenta cidades e se tornou uma das maiores redes de igrejas domésticas do país. Igrejas domésticas são congregações que se recusam a se registrar junto ao Estado, o que as torna ilegais sob a legislação chinesa.
A Zion foi proibida em 2018, após resistir à instalação de câmeras de vigilância em sua sede em Pequim, e desde então opera de forma fragmentada, dividida em pequenos grupos com cultos presenciais e transmissões por plataformas digitais, o que a tornou alvo do novo código de conduta online.
Novas acusações
Os nove líderes que ainda permanecem presos foram transferidos para a Procuradoria do Povo do Distrito de Yinhai e respondem agora por operações comerciais ilegais e fraude, acusações mais graves do que as iniciais e que abrem caminho para um processo criminal formal. O regime chinês sustenta que as atividades de treinamento bíblico realizadas pela igreja constituem operação comercial não autorizada.
Sem acesso aos autos
A Zion nega todas as acusações, argumentando que as atividades não são negócio e que os recursos recebidos são doações voluntárias dos fiéis. A defesa dos presos ainda não teve acesso completo aos autos do processo.
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