Tribunal nega liberdade a mandante de assassinato em Sorriso
A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negou, por unanimidade, um novo pedido de habeas corpus em favor do empresário Gabriel Junior Tacca. O réu, que se encontra detido preventivamente, é apontado pelas autoridades como o mandante do homicídio que vitimou o também empresário Ivan Michel Bonotto, em março de 2025, na cidade de Sorriso, localizada a 420 quilômetros de Cuiabá. O acórdão referente ao julgamento, realizado no dia 16, foi formalmente publicado na última segunda-feira (22).
A defesa de Gabriel Junior Tacca argumentou que a decisão que sustentou sua custódia carecia de fundamentação jurídica adequada, pleiteando a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas. No entanto, o relator do processo, desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, rejeitou os pedidos da defesa. O magistrado reforçou que a decisão de primeiro grau foi devidamente motivada, mantendo-se os pressupostos que justificam a necessidade da medida extrema para a garantia da ordem pública.
Gravidade do crime e indícios de premeditação
Em seu voto, o relator destacou que o ordenamento jurídico não exige que o magistrado repita integralmente fundamentos anteriores em cada nova análise, desde que o cenário processual permaneça inalterado. O desembargador pontuou que a materialidade do crime e os indícios de autoria estão devidamente documentados nos autos, preenchendo os requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal.
O tribunal enfatizou a gravidade concreta do caso, citando elementos que apontam para uma ação premeditada e a utilização de recursos que impossibilitaram a defesa da vítima. Além do homicídio qualificado por motivo torpe, o processo apura a prática de fraude processual, uma vez que os envolvidos teriam tentado alterar a cena do crime para simular uma briga comum de bar e desviar as investigações policiais.
Dinâmica do assassinato e motivação passional
O crime ocorreu na madrugada de 22 de março de 2025, dentro de uma distribuidora de bebidas pertencente a Gabriel Junior Tacca, situada no bairro Village. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o empresário teria articulado a contratação de Danilo Guimarães para simular um desentendimento no local, momento em que Ivan Michel Bonotto foi atingido por golpes de faca.
A vítima chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital 13 de Maio, onde recebeu atendimento médico. Apesar de ter apresentado sinais de melhora clínica durante o período de internação, Ivan Michel Bonotto sofreu uma parada cardiorrespiratória e faleceu no dia 13 de abril. A motivação do crime, conforme o inquérito, estaria ligada à descoberta de um relacionamento extraconjugal entre a vítima e Sabrina Iara de Mello, que na época era companheira de Gabriel Junior Tacca. O empresário foi preso em julho de 2025, e Danilo Guimarães também figura como réu no processo.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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