Brasília – A Polícia Federal cumpriu na manhã desta sexta-feira (3) mandados judiciais ligados a mais uma etapa da Operação Sisamnes, investigação que apura a comercialização de decisões judiciais em processos de grande valor. O principal alvo foi o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como articulador do esquema.
Agentes federais estiveram na residência de Gonçalves, em Primavera do Leste, município a 231 quilômetros de Cuiabá. Até o momento, a corporação não divulgou oficialmente o tipo de ordem judicial executada, nem especificou se houve apreensão de documentos ou bens. A ação foi conduzida sob sigilo.
Ligação com venda de decisões
De acordo com informações reunidas no inquérito, Andreson Gonçalves atuava como intermediário entre empresários interessados em vantagens processuais e o jurista identificado como Zampieri. Conforme a PF, cabia ao lobista estabelecer contato com integrantes do Poder Judiciário, facilitar o pagamento de propinas e garantir que sentenças fossem ajustadas aos interesses dos clientes.
A Operação Sisamnes foi deflagrada em novembro de 2024 e já resultou na prisão de advogados, lobistas, empresários, servidores e magistrados. O nome da operação faz referência a Sisamnes, juiz persa do século V a.C. punido por corrupção.
Prisão domiciliar e estado de saúde
O cumprimento dos mandados ocorre pouco mais de dois meses depois de o Supremo Tribunal Federal conceder prisão domiciliar a Gonçalves. A medida foi autorizada após laudos médicos indicarem acentuada perda de peso e quadro de saúde debilitado, consequência de oito meses detido na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, e posteriormente na Penitenciária Federal de Brasília, conhecida como Papuda.
Durante o período em cárcere, a defesa alegou que o cliente estava “passando fome” e não possuía condenação definitiva. Esses argumentos embasaram o pedido, aceito pelo STF, para que o investigado permanecesse em casa enquanto responde ao processo.
Medidas cautelares em vigor
Mesmo afastado do ambiente prisional, Andreson Gonçalves precisa cumprir restrições determinadas pela Justiça, como o uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e proibição de contato com demais investigados. As cautelares seguem válidas até o fim da ação penal.
Procurada, a Polícia Federal informou que “mais detalhes serão divulgados em momento oportuno”, sem previsão de coletiva. A defesa do lobista ainda não se pronunciou sobre a nova diligência.
Os autos da Operação Sisamnes tramitam em segredo de Justiça.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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