Cuiabá (MT) – O MT Par FIDC, veículo financeiro vinculado ao Governo de Mato Grosso, destinou R$ 1,1 milhão ao fundo Money Market, gerido pela mesma administradora que recebeu recursos de entes citados pela Polícia Federal na operação Carbono Oculto, voltada a esquemas ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A aplicação contrasta com o objetivo original do MT Par FIDC, criado exclusivamente para adquirir créditos da concessionária Rota do Oeste. Desde 2021, o Estado já repassou mais de R$ 1 bilhão para esse propósito. Auditagens independentes alertaram que não existe mercado ativo para os direitos creditórios comprados pelo fundo e apontaram risco elevado na estrutura de investimentos.
Documentos internos aos quais a reportagem teve acesso também indicam repasses do Tesouro estadual ao MT Par FIDC sem detalhamento público, além de inconsistências na transparência das movimentações financeiras. Essas informações reforçam a conexão entre o fluxo de recursos do fundo e carteiras investigadas pela PF.
A operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, apura lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio do PCC por meio de investimentos em diferentes produtos financeiros. Segundo a PF, parte desses recursos transitou pelo Money Market – o mesmo que recebeu o aporte de R$ 1,1 milhão feito pelo MT Par.
Questionado, o Governo de Mato Grosso negou haver qualquer investimento fora do escopo da operação de recompra da dívida da Rota do Oeste. Mesmo após a apresentação dos extratos que comprovam a aplicação, a administração estadual manteve a posição de que “não existem aportes alheios ao objeto social do fundo”.
Além dos questionamentos judiciais, especialistas em finanças públicas avaliam que o desvio da finalidade do MT Par FIDC pode gerar responsabilização de gestores e exigir devolução de valores ao erário. Já no campo criminal, a PF não descarta aprofundar diligências para verificar se houve, de fato, contaminação de recursos públicos por organizações criminosas.
Com a investida sobre o Money Market, o saldo total aplicado pelo fundo estadual fora da operação Rota do Oeste chega a R$ 1,1 milhão, mas a soma pode crescer. Auditorias ainda em curso analisam a origem de outros repasses que não constam dos relatórios oficiais publicados pelo Estado.
Enquanto isso, a concessão da BR-163/364 à Rota do Oeste – razão de existir do MT Par FIDC – continua dependente de um acordo de relicitação em discussão com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A indefinição prolonga a permanência de recursos públicos no fundo e amplia dúvidas sobre a destinação final do dinheiro investido.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de ICL Notícias
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