Moradores do Capão Redondo, extremo sul da capital paulista, relataram a atuação de um possível grupo de extermínio que teria executado três pessoas em menos de 30 minutos na madrugada de 21 de março. As mortes ocorreram em dois pontos diferentes, a cerca de 5 quilômetros de distância, e seguiram o mesmo padrão: atiradores em três motocicletas, sempre em dupla, usando toucas ninja, luvas e coletes à prova de bala.
Entregador morto com 20 disparos
O caso que mais chamou atenção foi o do entregador Gabriel Amorim Simão, 26 anos, assassinado às 0h10 na Rua Promotor Halliday, no Jardim Amália. Imagens de câmeras de segurança mostram seis criminosos chegando em três motos, cinco minutos depois de serem registrados conversando no mesmo quarteirão. No diálogo, um deles ordena: “vai lá, acerta cada um”.
Segundo testemunhas, Gabriel havia acabado de chegar do trabalho, decidiu regular a própria motocicleta e deu uma volta no quarteirão para testar os ajustes. Ele passou em frente a sete pessoas que seriam o alvo principal dos criminosos e foi abordado. Após cair da moto, tentou correr, mas foi perseguido por um dos garupas e recebeu cerca de 20 disparos; oito atingiram a região do peito, resultando em morte no pronto-atendimento da Unidade Básica de Saúde do Jardim Macedônia.
Depois da execução, a moto de Gabriel foi roubada para facilitar a fuga e, posteriormente, encontrada carbonizada. Por esse motivo, o caso foi registrado como latrocínio pelo 47º Distrito Policial (Capão Redondo). Testemunhas, contudo, contestam a tipificação, alegando que os suspeitos já chegaram com a intenção de atirar e não de roubar.
Suspeita de participação de policiais
Moradores ouvidos sob condição de anonimato afirmam que o suposto grupo de extermínio contaria com o apoio de policiais militares. Um carro da PM passou pela via minutos antes do ataque a Gabriel. Além disso, populares relatam que agentes da 3ª Companhia do 37º Batalhão recolheram cápsulas de munição antes da chegada da perícia. Quando a Polícia Técnico-Científica chegou, foram encontradas apenas três cápsulas de pistola calibre 9 mm, o que pode prejudicar a investigação.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e a Polícia Militar foram questionadas sobre a conduta dos agentes, mas não se manifestaram até o momento.
Dupla execução meia hora antes
Cerca de 30 minutos antes do homicídio de Gabriel, dois homens de 21 e 45 anos foram assassinados em frente a uma adega na Rua Andrijasevic, no Jardim Nakamura. Outro homem ficou ferido. O trio conversava no local quando foi surpreendido pelos mesmos motociclistas, segundo as investigações iniciais.
Os dois casos são apurados pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). No primeiro atentado, as vítimas possuíam antecedentes criminais; no segundo, Gabriel não tinha passagem pela polícia.
Moradores relatam medo de novos ataques e pedem reforço no policiamento. Até a noite desta quarta-feira (22/3), nenhum suspeito havia sido identificado.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com base nas informações de Metrópoles
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