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Deputado Faissal Calil rebate PF e nega venda de sentenças na Operação Gemini

Deputado Faissal Calil rebate PF e nega venda de sentenças na Operação Gemini
Faissal Calil (PL) rebate acusações da Operação Gemini, negando venda de sentenças e detalhando sua atuação como advogado agrário em Mato Grosso.

O deputado estadual Faissal Calil (PL) utilizou suas redes sociais na última segunda-feira, 15 de maio, para se manifestar sobre as investigações da Operação Gemini. A ação, deflagrada pela Polícia Federal em 8 de maio, apura um suposto esquema de venda de sentenças no Poder Judiciário de Mato Grosso, no qual o parlamentar é alvo. Faissal negou veementemente qualquer envolvimento, afirmando que sua atuação no processo em questão foi estritamente como advogado agrário, defendendo os direitos de propriedade de um cliente.

O parlamentar confirmou ter sido alvo de busca e apreensão em sua residência, explicando que a medida se deu por sua participação na defesa de um cliente cuja área havia sido injustamente invadida. A Operação Gemini investiga um processo de reintegração de posse referente a uma propriedade na Gleba Santo Expedido, localizada no município de Cláudia, a 531 quilômetros de Cuiabá. Faissal Calil atuava como advogado da empresa Industrial Madeireira S.A., em disputa pela posse da terra com a Associação dos Trabalhadores Rurais da gleba.

Acusações da Polícia Federal e a Defesa de Faissal

As investigações da Polícia Federal apontam que Faissal teria agido como um “articulador estratégico” para direcionar o processo ao desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que posteriormente proferiria uma decisão favorável à Industrial Madeireira S.A. A PF destacou como elemento relevante o fato de Faissal ter sido assessor do magistrado entre os anos de 2017 e 2018.

Em sua defesa, o deputado alegou ter sido procurado pelo ex-prefeito e vereador de Cláudia, Vilmar Gianchini (MDB), também investigado na Operação Gemini. Faissal justificou sua contratação pela sua especialidade em Direito Agrário, e não por sua antiga ligação com o desembargador Dirceu dos Santos. “Sou advogado, tenho 25 anos de formação, sou especialista em Direito Agrário, tenho mais de 400 processos habilitados no Tribunal de Justiça e mais de 150 no STJ. Essa é a minha profissão”, declarou o deputado.

Ele detalhou que sua contratação ocorreu em janeiro de 2023, com habilitação no processo em fevereiro do mesmo ano, mediante pagamento de pró-labore e emissão de nota fiscal, tudo devidamente declarado. Faissal ressaltou que, à época de sua contratação, o relator do caso era o doutor Luiz Carlos da Costa, e não o desembargador Dirceu dos Santos. O parlamentar ainda explicou que a terra em litígio sofreu diversas invasões e que seu cliente obteve decisões favoráveis em todas as instâncias judiciais. Ele afirmou que o processo teve mais de nove acórdãos e decisões colegiadas, sem qualquer decisão monocrática.

Denúncias e o Envolvimento de Roberto Zampieri

A Operação Gemini teve início a partir de uma denúncia encaminhada à Procuradoria da República em Rondonópolis por Paulo Sérgio Borges Aragão, presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedido. A denúncia mencionava um suposto pagamento de R$ 1 milhão para beneficiar a Industrial Madeireira S.A. no processo. Faissal, contudo, argumentou que essa mesma denúncia já havia sido objeto de uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sendo julgada improcedente e arquivada.

As investigações da PF também apontam que Faissal teria negociado uma decisão favorável nesse processo com o advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá. Zampieri é figura central nas investigações de venda de sentenças, após uma análise em seu celular revelar a extensão do esquema. A negociação, segundo a Polícia Federal, teria ocorrido por meio de mensagens, onde Zampieri teria afirmado a Faissal que o resultado de um julgamento ocorreria conforme o combinado, dois dias antes da decisão.

Em resposta, Faissal Calil negou que as mensagens com Zampieri tivessem relação com o processo investigado na Operação Gemini. Ele esclareceu que a conversa tratava de outro litígio de terras, no qual os clientes de ambos os advogados buscavam um acordo para evitar a judicialização. O deputado chegou a apresentar uma notificação do cliente de Zampieri ao seu próprio cliente, confirmando a tentativa de acordo. “Infelizmente não houve acordo e o processo foi interposto em 2024, onde eu figuro como advogado da parte ré”, explicou.

Alvos da Operação e a Reação do Deputado

Além de Faissal Calil, foram alvos da Operação Gemini o desembargador do TJMT Dirceu dos Santos, o vereador de Cláudia Vilmar Gianchini, o advogado Bruno Oliveira Castro, o empresário Luciano Cândido Amaral, e pelo menos outras seis pessoas. Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu diversos itens, incluindo um relógio da marca Rolex, um fuzil, uma pistola, munições e canetas de luxo, sem especificar a qual alvo cada objeto estava relacionado.

Inicialmente, no dia da operação, Faissal Calil publicou um vídeo em suas redes sociais em tom de deboche, perguntando “que horas são no meu rolex?”. Posteriormente, ele esclareceu que a publicação não era um deboche, mas uma manifestação de indignação por ter seu nome indevidamente associado ao Rolex apreendido. O deputado reiterou sua estranheza com a vinculação de seu nome a esses itens, especialmente às vésperas de uma eleição, já que busca a reeleição. Ele afirmou estar tranquilo, ter colaborado com as investigações e confiar no trabalho da Polícia Federal.

Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT

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