Brasília – A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) chorou ao prestar depoimento por videoconferência à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, na manhã desta quinta-feira (25). Falando de uma prisão na Itália, a parlamentar afirmou ser alvo de perseguição conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e alegou que as medidas judiciais se estenderam de forma indevida a seus familiares.
“Ele quis atingir toda a minha família. Tirou as redes sociais do meu filho, da minha mãe e bloqueou todas as contas do meu marido”, declarou Zambelli, exibindo aos colegas uma fotografia do filho e não contendo o choro. Segundo a deputada, as decisões do magistrado teriam ultrapassado o que considera “os limites da legalidade”.
A parlamentar negou ter deixado o Brasil para escapar da Justiça e classificou sua saída como “exílio político”. “Eu não confio mais na Justiça brasileira, porque Alexandre de Moraes não respeita a Constituição”, afirmou. Zambelli sustentou que não veria condições de obter um julgamento isento caso retornasse ao país.
O depoimento ocorre no âmbito do processo que pode levar à cassação de seu mandato. A representação na CCJ baseia-se em decisões do STF que a investigam por supostos ataques às instituições democráticas e propagação de informações falsas. Enquanto aliados repetem a tese de perseguição política, integrantes da oposição ao governo Jair Bolsonaro ressaltam que as medidas determinadas pelo Supremo foram adotadas dentro dos marcos legais vigentes.
Parlamentares favoráveis à deputada aproveitaram a sessão para criticar Moraes e defender a anulação dos atos judiciais. Já deputados contrários lembraram que a prisão de Zambelli foi decretada após descumprimento de ordens anteriores do STF, relacionadas a inquéritos sobre ataques à democracia, e observaram que todos os recursos cabíveis continuam à disposição da defesa.
Presidida pelo deputado Rui Falcão (PT-SP), a reunião foi exclusivamente dedicada ao depoimento e não houve votação. A relatoria, a cargo do deputado Ricardo Salles (PL-SP), ainda não apresentou parecer sobre a perda de mandato, e a CCJ não definiu data para discutir o relatório. O processo seguirá para o plenário da Câmara caso o colegiado aprove qualquer recomendação de cassação.
Conforme prevê o regimento interno, Zambelli poderá encaminhar documentos complementares aos autos até a próxima semana. A defesa afirma que pretende anexar decisões internacionais que, segundo seus advogados, comprovariam violação de direitos da deputada.
Até o fim da sessão, não houve consenso entre os integrantes da CCJ sobre a extensão das medidas impostas pelo STF nem sobre a possibilidade de um acordo que evite a votação em plenário. O presidente da comissão indicou que o calendário deverá ser divulgado após receber o parecer de Salles.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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