O inquérito da Polícia Federal que apura denúncias de assédio sexual contra o ex-ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, chega a um ano sem definição. As acusações foram formalizadas em setembro de 2024 por várias mulheres que trabalharam com o então ministro, entre elas a atual titular da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Logo após a divulgação dos relatos, Almeida foi exonerado do cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, as investigações tramitam sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro André Mendonça atua como relator do caso.
Reoitiva atrasou cronograma
O principal fator para a demora apontado por fontes próximas ao inquérito foi o pedido da defesa do ex-ministro para que todas as testemunhas fossem novamente ouvidas. A solicitação foi acolhida por Mendonça, obrigando a PF a repetir depoimentos já registrados. Além disso, a troca da delegada responsável pelo caso provocou uma nova reorganização do processo investigativo.
Segundo investigadores, os interrogatórios reabertos encontram-se na fase final. Quando concluídos, o relatório será encaminhado ao STF, que poderá arquivar o caso ou autorizar a abertura de ação penal contra Silvio Almeida.
Pressão sobre o governo
A lentidão no andamento da apuração tem sido alvo de críticas de organizações da sociedade civil e de movimentos ligados aos direitos das mulheres. As entidades cobram celeridade e transparência, lembrando que as acusações envolvem diretamente figuras de destaque nas áreas de direitos humanos e igualdade de gênero.
No Planalto, o prolongamento da investigação é visto como fonte adicional de constrangimento, especialmente porque o governo se apresenta como defensor de políticas de proteção às vítimas de violência sexual. Integrantes da Esplanada observam que a indefinição prolongada eleva o desgaste político para a administração federal.
Próximos passos
Com a conclusão dos novos depoimentos, a PF deve consolidar as informações colhidas ao longo do último ano. Depois disso, caberá ao ministro André Mendonça encaminhar parecer ao plenário do STF. A Corte poderá optar pelo arquivamento, caso considere as provas insuficientes, ou autorizar o Ministério Público Federal a oferecer denúncia e abrir ação penal contra o ex-ministro.
Enquanto a decisão não chega, as vítimas que prestaram queixa afirmam, por meio de seus representantes, que continuam acompanhando a investigação e esperam uma resposta definitiva da Justiça.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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