O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Instituto Nacional do Semiárido (INSA) lançaram recentemente a fase de expansão da tecnologia social denominada Saneamento Ambiental e Reúso de Água (SARA). Com um aporte financeiro de R$ 21 milhões, a iniciativa prevê a implantação de 41 novas unidades do sistema, com foco em fortalecer o saneamento e a agricultura familiar na região do Semiárido brasileiro.
O sistema SARA, desenvolvido e implementado pelo INSA, coleta e trata esgoto de origem domiciliar, escolar e comunitária, transformando-o em água de reúso e nutrientes essenciais para as práticas da agricultura familiar. O lançamento ocorreu no Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), localizado em Recife.
Durante o evento, Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, destacou a relevância transformadora do projeto. Ela enfatizou que a celebração não se limitava ao anúncio das novas unidades, mas sim à consolidação de uma ideia que se tornou eficaz, sendo adotada pelas comunidades e evoluindo para uma política pública com impactos diretos na vida das pessoas. As novas instalações, destinadas a escolas ou comunidades, poderão atender até 100 famílias por sistema.
Além da criação de novas unidades, o plano de expansão contempla a revitalização de estruturas já existentes, a análise dos benefícios socioeconômicos e ambientais dos sistemas em operação, a ampliação da tecnologia de reúso para desenvolver bioprodutos e a elaboração de um modelo de governança hídrica colaborativa entre os beneficiários. Os recursos para esta ampliação são provenientes do Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e gerenciados pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
Visão e Impacto do SARA
Etham Barbosa, diretor do INSA, descreveu o SARA como uma solução de baixo custo, porém de grande eficácia para as populações rurais. Ele mencionou que desde sua implementação, em 2018, o projeto tem se consolidado como uma ferramenta crucial de difusão tecnológica para o Semiárido, com potencial para integração a outras políticas federais. Barbosa comparou a expansão do SARA ao impacto do Programa 1 Milhão de Cisternas, visando complementar a ação das cisternas e promover um ciclo completo e sustentável de uso da água, um recurso vital para a região.
O secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda, sublinhou a pertinência do projeto para enfrentar os desafios regionais. Arruda ressaltou que o arranjo comunitário de saneamento rural e reúso de água é fundamental para a economia circular, permitindo a produção agrícola e o desenvolvimento de pequenas unidades produtivas, o que é crucial em áreas do Nordeste onde o saneamento ainda é limitado.
Alcance e Futuro da Iniciativa
Atualmente, o Projeto SARA conta com 372 unidades já instaladas ou em fase de instalação em nove estados do Semiárido. Com a inclusão das novas 41 unidades financiadas pelo FNDCT, o total atingirá 413 sistemas. Essa expansão visa estender o alcance da tecnologia em regiões caracterizadas por escassez hídrica e um histórico deficitário em saneamento rural, contribuindo para a geração de renda, segurança alimentar e melhoria das condições sanitárias. A definição dos municípios que receberão as novas unidades ainda será anunciada.
O evento de lançamento também incluiu uma inauguração simbólica de unidades já em funcionamento. Jerônimo Sampaio, representante de uma escola em Cabaceiras, na Paraíba, destacou o impacto significativo do SARA em sua família e comunidade, enfatizando que o projeto foi concebido para atender às necessidades dos agricultores familiares e promover a educação ambiental na prática.
Com esta ampliação, o governo federal reafirma seu compromisso com a gestão sustentável do Semiárido, buscando assegurar dignidade, segurança hídrica e alimentar, além de fortalecer a permanência das famílias no campo por meio de avanços científicos e inovação social. A iniciativa integra um conjunto de investimentos do MCTI destinados à segurança alimentar e ao combate à fome, com R$ 844 milhões aplicados nos últimos três anos em pesquisa, desenvolvimento e inovação para o setor, no âmbito do Programa de Ciência, Tecnologia e Inovação para Segurança Alimentar, Erradicação da Fome e Inclusão Socioprodutiva, igualmente financiado pelo FNDCT.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de MatoGrossoAoVivo
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