A degradação dos ecossistemas na Europa já compromete setores essenciais da economia do continente, especialmente a produção agrícola. É o que indica relatório recém-divulgado pela Agência Europeia do Ambiente (AEA), que traçou um panorama preocupante da qualidade de habitats, solos e recursos hídricos.
Habitat em estado crítico
Segundo o documento, 80% das áreas naturais protegidas estão em mau ou péssimo estado de conservação. O levantamento revela ainda que entre 60% e 70% dos solos europeus apresentam algum grau de degradação, situação que reduz a fertilidade, aumenta a erosão e encarece a atividade agropecuária.
Água cada vez mais escassa
A escassez hídrica alcança um terço do território europeu. O estudo mostra que apenas 37% das águas superficiais mantêm condições ecológicas consideradas boas. A AEA aponta o uso intensivo de fertilizantes e pesticidas como fator que prejudica a qualidade da água e a biodiversidade aquática.
Agricultura e emissões
Embora a União Europeia tenha cortado 37% de suas emissões de gases de efeito estufa desde 1990 e ampliado a geração de energia renovável, o relatório ressalta que o bloco continua dependente de combustíveis fósseis no setor de transportes e mantém práticas agrícolas que pressionam o ambiente. O uso excessivo de insumos químicos repercute diretamente na drástica redução de polinizadores, fundamentais para diversas culturas.
Redução dos sumidouros de carbono
Incêndios florestais, secas prolongadas e exploração irregular de florestas provocaram uma queda de aproximadamente 30% nos sumidouros de carbono do continente, estruturas naturais necessárias para absorver CO₂ da atmosfera. Esse enfraquecimento dificulta o cumprimento das metas climáticas europeias.
Impactos econômicos diretos
O estudo sublinha que quase 75% das empresas europeias dependem de recursos naturais, como água e solos saudáveis, para suas operações. A AEA alerta que a degradação ambiental ameaça a segurança alimentar, o abastecimento hídrico e a competitividade industrial, exigindo ações imediatas de descarbonização, adoção de modelos de economia circular e gestão eficiente dos recursos.
Comparação com o Brasil
No mesmo relatório, os autores destacam a legislação ambiental brasileira como uma das mais avançadas quando o assunto é monitoramento de áreas agrícolas e proteção de ecossistemas, indicando que o país possui instrumentos robustos para conciliar produção e preservação.
Especialistas consultados reforçam que, sem a rápida adoção de práticas sustentáveis e sem o reforço da governança ambiental, a Europa pode enfrentar gargalos estruturais que vão desde a queda da produtividade agrícola até o aumento expressivo dos custos de produção.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Pensar Agro
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