O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações que somam R$ 2 bilhões nas contas da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) em um período de 12 meses, colocando o município de Tangará da Serra (MT) entre os focos de investigação.
De acordo com relatório encaminhado a órgãos de fiscalização, foram registradas receitas de R$ 1,017 bilhão e pagamentos que chegaram a R$ 1,015 bilhão no intervalo analisado. Parte dessas transações foi classificada como “atípica”, sinalização que, segundo o Coaf, pode indicar indícios de fraudes ou desvio de recursos.
A Contag, entidade historicamente próxima ao Partido dos Trabalhadores (PT), passou a ser investigada pela Polícia Federal (PF) e pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As apurações buscam saber se benefícios previdenciários foram concedidos de forma fraudulenta mediante atuação de sindicatos rurais vinculados à confederação.
Entre as cidades citadas no documento do Coaf aparecem Rodeio Bonito (RS), Cruzeiro do Sul (AC) e Tangará da Serra (MT), classificadas como “áreas de fronteira” pelo órgão de inteligência financeira. Nesses locais, foram detectadas operações com “cheques viagem” emitidos sem detalhamento de valores ou identificação completa dos beneficiários, prática considerada de alto risco para lavagem de dinheiro.
Procurada, a Contag afirmou que os valores referem-se às atividades normais de sua estrutura sindical nacional, que reúne 27 federações estaduais e cerca de quatro mil sindicatos filiados. A confederação também informou ter entregue documentação comprobatória às autoridades e declarou “confiança no esclarecimento” dos fatos.
No Congresso, integrantes da CPI do INSS avaliam convocar representantes da entidade para explicar a origem e o destino dos recursos, sobretudo os que passaram por municípios fronteiriços. Parlamentares apontam que tais regiões são estratégicas para a retirada irregular de benefícios previdenciários, devido à dificuldade de fiscalização presencial.
Em paralelo, a Polícia Federal investiga se pessoas ligadas à Contag teriam utilizado contas da confederação para movimentar recursos de terceiros, prática conhecida como “conta de passagem”. Caso o indício seja confirmado, os envolvidos podem responder por lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa.
Até o momento, não há bloqueio judicial de valores, mas fontes ligadas à investigação afirmam que pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal já foram encaminhados ao Ministério Público Federal. A expectativa é concluir a análise preliminar ainda neste semestre, quando será decidido se haverá denúncia formal contra dirigentes ou colaboradores.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Estadão
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