O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a defender o pagamento de um Pix comemorativo do Dia do Professor, medida que foi alvo de críticas de parte da categoria e de opositores políticos. A iniciativa, aprovada pela Câmara Municipal, prevê a transferência direta de R$ 200 para professores e técnicos de desenvolvimento infantil, além de R$ 100 para os demais profissionais da rede municipal de Educação.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Brunini comparou o benefício a programas de transferência de renda do governo federal, como o vale-gás e o “pé de meia”. “Segue a mesma lógica de apoio direto ao cidadão”, declarou o prefeito, ressaltando que até 9 mil servidores poderão ser contemplados, ao custo estimado de até R$ 1,4 milhão para o Tesouro municipal.
O projeto estabelece que o pagamento só ocorrerá se houver disponibilidade de caixa. Mesmo assim, o gestor usou tom irônico ao comentar a resistência de parte da categoria. “Tem muito militante de esquerda na educação. Você acha que eu deveria criar um canal para devolução? Vai ter fila de gente falando ‘não vou aceitar o Pix desse prefeito bolsonarista’”, provocou.
Brunini negou qualquer intenção de recorrer à União para bancar o benefício. “Eu não vou lá baixar a cabeça e pedir bênção para conseguir ajuda para Cuiabá”, disse, ao rechaçar a possibilidade de buscar verba federal. Segundo ele, a prefeitura possui recursos próprios para cumprir o repasse, condicionado à análise do fluxo financeiro no período.
Tramitação e valores
A proposta passou pela Câmara sem alterações no montante. Os R$ 200 serão destinados a professores efetivos, temporários e aposentados, além de técnicos de desenvolvimento infantil. Os demais cargos de apoio administrativo receberão R$ 100. O pagamento será feito por meio de chave Pix cadastrada pelos servidores junto à Secretaria Municipal de Educação.
O texto também autoriza o Executivo a editar regulamento com critérios de elegibilidade e cronograma dos depósitos. Representantes sindicais afirmam que, embora reconheçam o gesto, a categoria mantém pautas salariais que consideram prioritárias, como a revisão geral anual e o plano de carreira.
Contexto de tensão
Nos últimos meses, a relação entre prefeitura e profissionais da Educação tem sido marcada por embates. Greves e paralisações cobrando melhorias estruturais e reajustes salariais motivaram trocas de acusações. Ao anunciar o Pix, Brunini afirmou buscar “um gesto de reconhecimento pelo trabalho dos educadores”, mas opositores classificaram a medida como “mídia eleitoral antecipada”.
A administração municipal sustenta que o auxílio não interfere em negociações permanentes sobre vencimentos, nem substitui direitos previstos em lei. “É um bônus pontual, semelhante ao abono natalino pago em outros municípios”, explicou a Secretaria de Gestão.
Apesar da controvérsia, a expectativa do Executivo é concluir a implantação ainda em outubro de 2025, mês em que se celebra o Dia do Professor. O depósito será efetuado em parcela única, e o servidor não precisará apresentar requerimento específico, bastando estar ativo na folha de pagamento até a data definida em decreto.
Enquanto as reações dividem a categoria, a prefeitura corre para viabilizar a operação financeira e ajustar o sistema informatizado de gestão de pessoal, responsável pelo envio dos dados bancários ao Banco do Brasil, agente que processará os Pix.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Gazeta
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