A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) confirmou presença na Zona Verde da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-30), marcada para 10 a 21 de novembro, em Belém (PA). A entidade pretende apresentar três projetos que, segundo seus representantes, demonstram o potencial da pecuária mato-grossense para reduzir emissões de gases de efeito estufa e otimizar o uso da terra.
Casos que serão levados a Belém
O primeiro trabalho, desenvolvido em parceria com a Embrapa, mediu a captura de carbono no bioma Pantanal, abrangendo propriedades de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os resultados preliminares foram descritos como “excelentes e surpreendentes” pelo presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, que prometeu divulgar detalhes em coletiva a ser realizada na próxima semana.
O segundo estudo, conduzido junto à Fundação Mato Grosso, avaliou a fixação de carbono em quatro fazendas com características distintas — áreas adubadas, sem adubo e até trechos abandonados. Oswaldo Jr. explicou que o objetivo é comparar práticas de manejo e demonstrar quais cenários mais contribuem para o sequestro de carbono no solo.
Já o terceiro case abordará a Terminação Intensiva a Pasto (TIP), sistema no qual o gado é criado em pastagens e recebe suplementação com grãos apenas na fase final de engorda. A prática, conhecida como produção de “boi verde”, permite confinar animais em espaços menores sem abandonar o pasto. Segundo a entidade, em municípios ao longo da BR-163 é possível manter bovinos em apenas 3 a 4 hectares utilizando DDG (grãos secos de destilaria) e farelo de soja.
Mato Grosso em números
Com 32,5 milhões de cabeças, Mato Grosso detém o maior rebanho bovino do país e figura entre os principais do mundo. A Acrimat afirma que a adoção de tecnologias de terminação intensiva tem elevado a produtividade ao mesmo tempo em que reduz a pressão por novas áreas de pastagem.
Representação na conferência
A comitiva da associação será formada por Francisco Manzi (diretor técnico), Nilton Mesquita Jr. (gerente de relações institucionais) e Tatiane Monteiro (consultora). A Acrimat será a única representante da pecuária de Mato Grosso na conferência; em nível nacional, apenas a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) também foi convidada. Ambas participarão a convite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), responsável por coordenar a presença do setor no evento climático que reunirá delegações de mais de 160 países.
Estrutura da COP-30
A programação em Belém será dividida entre as Zonas Verde e Azul. A primeira reunirá sociedade civil, instituições públicas e privadas, além de líderes globais para debates sobre soluções climáticas. A Zona Azul, restrita a delegações oficiais, chefes de Estado, observadores e imprensa credenciada, concentrará as negociações que devem definir o rumo das políticas de enfrentamento à mudança do clima.
Ao apresentar seus estudos, a Acrimat pretende reforçar a mensagem de que a pecuária pode contribuir para metas ambientais por meio de manejo adequado, incremento de produtividade e tecnologias de baixa emissão.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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