O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, avaliou como “muito positivo” o primeiro encontro presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado no último domingo (26) em Kuala Lumpur, na Malásia. Apesar do otimismo, Beber criticou a demora para que o diálogo fosse retomado, destacando que a tensão comercial iniciada em junho deste ano já causa prejuízos ao agronegócio brasileiro.
Desde o meio do ano, os produtos nacionais enfrentam tarifa extra de 50% para entrar no mercado norte-americano. Além do aumento nas alíquotas, Washington também aplicou sanções a autoridades brasileiras, sob argumento de desequilíbrio na balança comercial dos Estados Unidos e de uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos bastidores, o deputado federal Eduardo Bolsonaro tem sido apontado pelo governo brasileiro como articulador do chamado “tarifaço”.
Para Lucas Beber, é imprescindível restabelecer a normalidade com os EUA, que ele classifica como “o maior investidor estrangeiro no país” e principal comprador de commodities como café e suco de laranja. “Temos a obrigação de manter o diálogo. Qualquer ruído impacta diretamente o nosso setor”, afirmou. O presidente da Aprosoja reforçou que atrasos na negociação podem comprometer a competitividade de soja e milho mato-grossenses, principais motores da economia estadual.
O encontro entre Lula e Trump durou cerca de 45 minutos. Ao final, os dois chefes de Estado concordaram em iniciar um processo de negociação para tentar reverter a sobretaxa. A delegação brasileira contestou a alegação de prejuízo norte-americano, sustentando que o comércio bilateral gera superávit para os Estados Unidos. Mesmo assim, a equipe de Trump manteve a posição de cautela e, por ora, não suspendeu as tarifas durante o período de conversas.
A primeira rodada técnica aconteceu já na segunda-feira (27), reunindo representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Escritório do Representante de Comércio dos EUA. Segundo fontes do governo brasileiro, a pauta inicial envolveu estimativas de impacto fiscal provocado pelo tarifaço, propostas de prazos para revisão de alíquotas e possíveis compensações em outras agendas de cooperação, como meio ambiente e investimentos em infraestrutura.
Beber demonstrou preocupação com o ritmo das tratativas. “Qualquer atraso custa caro ao produtor. Não podemos esperar que as safras seguintes sejam comprometidas”, alertou. Ele acrescentou que o agronegócio brasileiro precisa de previsibilidade para honrar contratos internacionais e planejar a logística do escoamento da produção, principalmente nos portos do Arco Norte e de Santos, ponto de embarque mais utilizado pelo cereal mato-grossense.
Mesmo criticando a demora, o presidente da Aprosoja disse acreditar que o sinal político dado por Lula e Trump representa um avanço. “Foi um passo necessário. Agora, esperamos agilidade na concretização de um acordo que devolva competitividade ao agro brasileiro”, concluiu.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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