A reocupação da cadeira mato-grossense no Senado pela empresária Margareth Buzetti (PP) abriu nova frente de tensão para o ministro da Agricultura e senador licenciado Carlos Fávaro (PSD). A parlamentar, primeira suplente da chapa, assumiu o posto deixado por José Lacerda e, diferentemente do antecessor, não mantém relação próxima com Fávaro nem alinhamento com o Palácio do Planalto.
A mudança de titularidade ocorre às vésperas da retomada dos trabalhos legislativos, prevista para a próxima semana. Nos bastidores, aliados avaliam que o retorno de Buzetti pode antecipar a desincompatibilização de Fávaro do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Inicialmente, o ministro planejava deixar o cargo somente em abril para buscar a reeleição ao Senado e estruturar um palanque robusto para o presidente Lula em Mato Grosso.
Com a nova composição, o PSD perde um aliado direto no plenário e passa a conviver com uma senadora que adota postura crítica ao governo federal. A perspectiva de enfrentamento ganha força em um cenário de tensão crescente na Casa, onde estão no radar a eventual CPI do Banco Master e a votação do veto presidencial ao PL da Dosimetria. Ambas as pautas dividem a base governista e poderão exigir articulação intensa do Executivo para evitar derrotas.
Integrantes do Mapa admitem, em caráter reservado, que a permanência de Fávaro no ministério até abril dependerá da evolução do ambiente político no Congresso. Caso a pressão aumente, a tendência é que ele retome o mandato ainda no primeiro bimestre para reforçar a defesa do governo no plenário e dar início oficial à pré-campanha.
Por outro lado, a antecipação da saída de Fávaro do governo exigiria ajustes internos na Agricultura. O ministro é responsável por destravar pautas sensíveis do agronegócio, setor que responde por fatia expressiva da economia de Mato Grosso. Uma eventual troca no comando do Mapa em período curto poderia atrasar programas em andamento e negociações comerciais no exterior.
No Senado, Buzetti deve seguir linha de independência. Durante a passagem de Lacerda, Fávaro contava com apoio para as agendas da pasta e para articulações eleitorais. Agora, o espaço passa a ser ocupado por uma voz que, segundo interlocutores, pretende fiscalizar de forma mais rígida as ações federais e adotar discurso voltado a produtores descontentes com o governo petista.
Enquanto avalia o melhor momento para deixar o ministério, Fávaro intensifica agendas administrativas em Brasília e nos estados. A equipe ministerial tenta manter a normalidade dos cronogramas, mas reconhece que o fator político terá peso decisivo nas próximas semanas.
Nos corredores do Congresso, a leitura predominante é de que a presença de Buzetti na cadeira titular modifica equações partidárias e pode alterar alianças regionais em Mato Grosso, sobretudo na corrida ao Senado. Se optar por antecipar o retorno, Fávaro terá de equilibrar a defesa do governo no plenário com a construção de sua campanha, num ambiente de polarização crescente.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RDNews
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