Corumbá (MS) – A presença do cervo asiático Axis axis, conhecido como chital, acendeu o alerta de pesquisadores e autoridades ambientais no Pantanal Mato-grossense. O primeiro registro no bioma ocorreu no início de 2026, quando trabalhadores de uma fazenda em Corumbá filmaram o animal após ele atacar bovinos e ser perseguido por cães, revelando comportamento agressivo incomum entre cervídeos brasileiros.
Originário do sul da Ásia, o chital foi introduzido na América do Sul no começo do século XX para caça esportiva. Desde então, a espécie saiu do Uruguai e avançou por Argentina e Paraguai até chegar ao Brasil. O primeiro registro brasileiro, em 2009, ocorreu no Rio Grande do Sul. Em ritmo estimado de 150 quilômetros por ano, a expansão passou por Santa Catarina, Paraná, São Paulo e, agora, alcança Mato Grosso do Sul.
Competição e riscos sanitários
Machos podem ultrapassar 100 quilos e disputar, diretamente, os mesmos alimentos consumidos por cervos nativos, aumentando a pressão sobre espécies como veado-campeiro, veado-catingueiro, veado-mateiro e cervo-do-pantanal — este último listado como ameaçado de extinção. Além da competição, há risco de transmissão de enfermidades, pois o invasor não enfrenta predadores naturais no país.
Um episódio ocorrido quatro anos atrás no Paraguai ilustra o potencial de agressividade: um chital mantido como animal ornamental na residência oficial do governo matou um militar. O cervo fora doado pelo Sri Lanka dois anos antes.
Desafios de controle
Entre 2010 e 2015, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) coordenou o Plano de Ação Nacional para Conservação dos Cervídeos Brasileiros (PAN Cervídeos), mas apenas 18 % das iniciativas previstas foram concluídas. As ações remanescentes migraram para o PAN Ungulados, que também inclui anta e queixada, sem contemplar medidas específicas para o chital.
Estudiosos compararam o cenário atual à invasão do javali, cuja contenção depende de remoção anual superior a 60 % dos indivíduos. Segundo Walfrido Moraes Tomas, da Embrapa Pantanal, e Liliane Tiepolo, da Universidade Federal do Paraná, o modelo adotado para o javali, baseado em caçadores registrados como CACs, mostrou-se insuficiente e não deve ser replicado para o cervo asiático.
Falta de governança
Pesquisadores ressaltam a dificuldade de gerenciar espécies exóticas em território continental e alertam que não existem estudos capazes de prever a dimensão dos impactos do chital. A preocupação cresce diante de ofertas pela internet de cervos exóticos para fins ornamentais, com preços que superam R$ 10 mil por animal, facilitando novas introduções irregulares.
Entre as propostas para enfrentar o problema estão a criação de um serviço público voltado à vida selvagem, a formação de profissionais especializados no manejo de populações de animais livres e a elaboração de uma política nacional de prevenção a invasões biológicas.
Enquanto não há ações coordenadas, especialistas temem que a população de chital continue a se expandir, colocando em risco a já pressionada fauna de cervídeos brasileiros e a integridade do Pantanal, um dos principais patrimônios ambientais do país.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Eh Fonte
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