O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, contudo, sua produção atual é ínfima, representando menos de 0,01% da oferta global. O país não possui uma legislação específica aprovada para o setor, nem uma planta industrial capaz de realizar a separação desses elementos estratégicos, um cenário que cria um vácuo regulatório e alimenta disputas federativas sobre o controle desses recursos minerais.
De acordo com o USGS Mineral Commodity Summaries 2025, o território brasileiro abriga 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras (OTR), o que equivale a 23% das reservas mundiais conhecidas. Somente a China supera essa marca, com 44 milhões de toneladas. No entanto, em 2024, a produção nacional foi de aproximadamente 20 toneladas, um contraste marcante com as 270 mil toneladas extraídas pelos chineses no mesmo período. A pequena quantidade produzida é exportada como concentrado de baixo valor agregado, destinada principalmente a refinarias na China.
As terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos, incluindo os 15 lantanídeos, além de ítrio e escândio. Apesar de seu nome, esses elementos não são propriamente raros na crosta terrestre. A dificuldade reside principalmente em concentrá-los de forma economicamente viável e, crucialmente, em separar individualmente cada elemento para suas diversas aplicações industriais.
A Presença Invisível no Cotidiano
Diversos dispositivos modernos dependem diretamente das terras raras. Seu telefone celular, por exemplo, utiliza neodímio e praseodímio no pequeno motor que gera as vibrações de notificações. Esses mesmos elementos são componentes essenciais de ímãs permanentes em motores de veículos elétricos, geradores de turbinas eólicas e drones militares. Os ímãs conhecidos como NdFeB são notavelmente 18 vezes mais potentes que os de ferro convencional.
O érbio, embora menos conhecido, desempenha um papel fundamental na infraestrutura da internet, amplificando sinais dentro das fibras ópticas que conectam continentes e viabilizam a transmissão de dados em alta velocidade. Sem ele, serviços como streaming de vídeo, chamadas por aplicativo e transações bancárias online teriam sua velocidade drasticamente reduzida. O gadolínio é utilizado como agente de contraste em ressonâncias magnéticas, auxiliando na diferenciação de tecidos saudáveis e doentes. O európio confere segurança às cédulas de dinheiro, produzindo a marca visível sob luz ultravioleta, e também está presente em telas LCD. Outros elementos, como o cério, ajudam a reduzir emissões em catalisadores automotivos, enquanto o lantânio compõe baterias de veículos híbridos, e o samário forma ímãs resistentes a altas temperaturas, empregados em equipamentos aeroespaciais. O ítrio, por sua vez, é um componente de lasers cirúrgicos e supercondutores.
Essenciais para Defesa e Transição Energética
No setor militar, a dependência das terras raras é ainda mais acentuada. Aeronaves como o caça F-35 americano incorporam centenas de quilos desses elementos em sistemas de guiamento de mísseis, radares e dispositivos de visão noturna. Disprósio, cotado a US$ 260 por quilo em 2024, e térbio, a US$ 810 por quilo, são cruciais para reforçar ímãs que operam em altas temperaturas, tornando-os insubstituíveis em motores de caças e submarinos nucleares.
A demanda global por terras raras está projetada para um crescimento expressivo de 1.500% até 2050, conforme estimativas da UNCTAD. Essa projeção é impulsionada pela transição energética e tecnológica: cada turbina eólica offshore, por exemplo, consome aproximadamente 600 kg de ímãs de neodímio, e cada veículo elétrico requer entre 1 e 2 kg desses elementos.
O Potencial Geológico Brasileiro
As reservas brasileiras de terras raras estão distribuídas por quatro estados. Em Goiás, a mina Serra Verde, localizada em Minaçu, iniciou suas operações comerciais em janeiro de 2024, com uma capacidade nominal de 5 mil toneladas anuais de OTR e uma vida útil estimada em 25 anos. A mina operou em fase de ramp-up durante o primeiro ano. Ainda em Goiás, o Projeto Carina, da canadense Aclara Resources, em Nova Roma, prevê um investimento de US$ 680 milhões e o início da produção entre 2028 e 2029.
Minas Gerais concentra o maior número de projetos, com investimentos previstos que superam US$ 2,4 bilhões. Destacam-se os projetos em Araxá (St. George Mining, US$ 700 milhões), Poços de Caldas (projetos Colossus da Viridis Mining e Caldeira da Meteoric Resources, que juntos somam mais de US$ 700 milhões) e Patos de Minas (Terra Brasil Minerals, US$ 1 bilhão).
No Amazonas, o depósito de Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira, possui um recurso estimado em 43,5 milhões de toneladas de terras raras. Se explorado, esse depósito poderia posicionar o Brasil como o maior detentor mundial. No entanto, sua exploração está impedida, pois a área está localizada em Terra Indígena Balaio e em uma Reserva Biológica. Na Bahia, o Complexo de Jequié apresenta teores de até 40,5% de OTR em rocha.
Desafio Industrial e Perspectivas Futuras
O principal gargalo para o Brasil não é geológico, mas sim industrial. O concentrado de carbonato misto extraído em Goiás é exportado para a China sem qualquer beneficiamento significativo. O primeiro laboratório-fábrica de ímãs permanentes do hemisfério sul, o LabFabITR do SENAI, inaugurado em Lagoa Santa (MG) em 2024, tem uma capacidade limitada de apenas 10 toneladas por ano.
Para impulsionar a transformação de minerais estratégicos, o BNDES e a Finep lançaram uma chamada pública no valor de R$ 5 bilhões, no âmbito do programa Nova Indústria Brasil, visando estimular investimentos na cadeia de valor das terras raras e outros minerais críticos.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google Notícias
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