O Tribunal do Júri da comarca de Sinop, localizada a 481 km de Cuiabá, encerrou um dos capítulos mais longos da história jurídica de Mato Grosso. Após mais de 38 anos do crime que ficou conhecido como Chacina de Juara, os seis homens que respondiam pelo linchamento de três vítimas em uma praça pública na cidade de Juara foram absolvidos das acusações.
justiça: cenário e impactos
O desfecho de um julgamento histórico
O julgamento, realizado no dia 2 de junho de 2026, estendeu-se por mais de 10 horas antes que o Conselho de Sentença chegasse a um veredito. Os réus Hildo Deodato Siqueira, Jonas Dante, Donizete Aparecido Silva, Hilton Giocondo Saporski, Agapto Generoso Batista e Sérgio Gaspar Branco eram acusados pelo assassinato de Ademir Marques Ramos, Luiz Carlos Andrade dos Santos e João Batista da Silva, ocorrido em janeiro de 1988.
Acusações e estratégias de defesa
O Ministério Público sustentava a denúncia de triplo homicídio qualificado. Segundo a acusação, o crime teria sido motivado por torpeza, utilizando meios cruéis e recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas. Apesar de os jurados terem reconhecido a materialidade dos homicídios, a decisão final seguiu caminhos distintos para cada um dos acusados, baseando-se em teses de negativa de autoria e no quesito absolutório genérico.
Fundamentos da decisão dos jurados
No caso de Hildo Deodato Siqueira e Jonas Dante, o Conselho de Sentença entendeu que não havia provas suficientes que comprovassem a autoria dos crimes. Donizete Aparecido Silva, por sua vez, foi absolvido por negativa de autoria em relação a uma das mortes e pelo quesito genérico nas demais. Já para Hilton Giocondo Saporski, Agapto Generoso Batista e Sérgio Gaspar Branco, os jurados admitiram a participação, mas optaram pela absolvição através do quesito absolutório genérico, prerrogativa que permite a dispensa de condenação mesmo com a autoria reconhecida.
Encerramento do processo
Após a soberana decisão do júri, a juíza Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade, presidente da sessão, determinou a absolvição de todos os réus. O magistrado também ordenou a revogação de eventuais medidas cautelares que ainda estivessem vigentes e decretou o arquivamento definitivo dos autos após o trânsito em julgado. O encerramento marca o fim de um processo que tramitou por quase quatro décadas no Poder Judiciário mato-grossense.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de RepórterMT
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