
O cenário político nacional ganha novos contornos com a realização de uma pesquisa inédita do Datafolha, que promete agitar a corrida pela Presidência da República. Entre esta quarta-feira, 17 de julho, e a próxima sexta-feira, 19 de julho, o instituto está nas ruas coletando dados que serão cruciais para entender as intenções de voto dos brasileiros. Os resultados completos serão divulgados na própria sexta-feira, gerando grande expectativa entre analistas e o público.
A iniciativa é uma encomenda da Folha da Manhã, editora responsável pela Folha de S. Paulo, e representa um investimento de R$ 307,6 mil. Para este levantamento, serão entrevistados 2.004 eleitores de forma presencial em diversas localidades do país. A margem de erro estimada para a pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que confere um nível de confiança considerável aos dados apurados.
Estrutura do questionário e nomes avaliados
A metodologia do Datafolha para este estudo segue um padrão rigoroso, iniciando com uma pergunta espontânea. Neste primeiro momento, os eleitores são questionados sobre em quem pretendem votar sem que nenhum nome seja apresentado, buscando captar a percepção inicial e a escolha já consolidada do eleitorado. Em seguida, o pesquisador apresenta uma lista estimulada com doze nomes de potenciais candidatos, repetindo a pergunta sobre a intenção de voto.
A lista de nomes que compõem o cenário estimulado inclui figuras conhecidas da política brasileira, como Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Joaquim Barbosa, Augusto Cury, Hertz Dias, Rui Costa Palmeira, Ciro Gomes, Samira Martins, Cabo Daciolo e Aécio Neves. Além das intenções de voto, o questionário também se aprofunda na medição da rejeição, perguntando aos entrevistados em quais candidatos eles não votariam de forma alguma, um dado essencial para compreender o potencial de crescimento de cada um.
Alterações na lista de candidatos e cenários de segundo turno
Em comparação com a pesquisa anterior, realizada em 22 de maio, o atual levantamento apresenta algumas modificações significativas na lista de candidatos. Dois nomes de peso foram incluídos: Joaquim Barbosa e Aécio Neves. Por outro lado, Michelle Bolsonaro, que havia sido testada na rodada anterior em meio ao impacto inicial do caso Dark Horse como uma alternativa à candidatura de Flávio Bolsonaro, não figura neste novo questionário.
A pesquisa também explora cenários de segundo turno, focando em quatro confrontos diretos, todos envolvendo o atual presidente Lula. Serão testadas as disputas entre Lula e Flávio Bolsonaro, Lula e Michelle Bolsonaro, Lula e Ronaldo Caiado, e Lula e Romeu Zema. Além das projeções eleitorais, o Datafolha busca aferir a aprovação do governo Lula, a percepção do eleitorado sobre a situação econômica do país, a influência de um possível apoio de Donald Trump a algum candidato e a avaliação da classificação do PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Comparativos e a ascensão de Renan Santos
A divulgação dos novos números do Datafolha será inevitavelmente comparada com levantamentos recentes de outros institutos. A última pesquisa do próprio Datafolha, de 22 de maio, indicava uma vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno por 47% a 43%. Já a pesquisa Quaest, divulgada na semana passada, mostrou Lula com uma vantagem de 10 pontos no primeiro turno, embora as metodologias distintas tornem as comparações diretas um exercício cauteloso.
O cenário atual aponta para uma relativa estabilidade entre os líderes, com Lula e Flávio Bolsonaro oscilando dentro da margem de erro, sem uma tendência clara de crescimento para nenhum deles. Contudo, uma novidade no campo da direita tem chamado a atenção: a ascensão de Renan Santos, do Partido Missão e cofundador do MBL. Ele registrou um salto de 3% no Datafolha de março para 4% na Gerp de junho, chegando a expressivos 5,3% na AtlasIntel de abril. Seu desempenho é notável entre os jovens de 16 a 24 anos, onde alcançou 24,7% das intenções de voto.
Enquanto isso, outros nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado permanecem estagnados, com índices entre 2% e 4%, sem sinais de crescimento consistente. A grande questão que se coloca é se o avanço de Renan Santos tem um limite ou se ele está capturando votos de Flávio Bolsonaro, de Lula ou de eleitores ainda indecisos. Nas redes sociais, o chamado ‘efeito Renan’ é inegável, com o candidato apresentando o maior crescimento na internet entre janeiro e junho deste ano.
Um levantamento da Blade, de 15 de maio, apontou uma taxa de engajamento de 5,11% para Renan Santos no Instagram, em contraste com 1,41% de Flávio Bolsonaro. No TikTok e no YouTube, o fundador do MBL também lidera o crescimento entre os pré-candidatos à presidência, um feito notável considerando sua falta de uma estrutura partidária tradicional, tempo de televisão ou grandes coligações. Os resultados completos do Datafolha deverão trazer mais clareza sobre esses movimentos no tabuleiro eleitoral.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Conexão Política
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