Mulheres iranianas voltaram a incendiar hijabs em vias públicas, transformando o lenço que cobre a cabeça em um símbolo de enfrentamento à obrigatoriedade do véu e, por extensão, ao governo do Irã. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram grupos retirando o tecido e ateando fogo, gesto que se repete em diferentes pontos do país e marca a fase mais recente de protestos de grande escala.
A legislação iraniana impõe o uso do hijab em locais públicos, e o descumprimento pode gerar sanções. Mesmo sob risco de punição, manifestantes têm exposto o rosto e os cabelos em manifestações que se multiplicam, apontando o descontentamento com as restrições impostas às mulheres.
Nas gravações que circulam na internet, é possível ver faixas de asfalto iluminadas pelas chamas dos lenços, enquanto as manifestantes erguem os braços em sinal de resistência. O ato, que já havia surgido em mobilizações anteriores, ganha nova força e chama a atenção pela abrangência dos protestos que ocorrem atualmente em território iraniano.
Observadores destacam que a prática de queimar o véu carrega forte carga simbólica: ao incinerar a peça, as participantes afirmam publicamente a rejeição ao controle estatal sobre a forma como se vestem. Além disso, a presença de grupos de mulheres sem cobertura na cabeça amplia a visibilidade da contestação e reforça a mensagem de repúdio às normas vigentes.
Os protestos se espalham por várias cidades, reunindo diferentes camadas da população. Embora atos contra a obrigatoriedade do hijab não sejam inéditos, a frequência com que vídeos de queima de lenços surgem nas redes indica que a iniciativa se consolidou como um dos principais emblemas da atual onda de manifestações.
Até o momento, não há informações oficiais sobre eventuais detenções relacionadas aos episódios recentes, tampouco dados sobre confrontos resultantes das mobilizações. O governo iraniano ainda não se pronunciou publicamente sobre a nova série de atos que contestam a lei do véu obrigatório.
Com o fogo consumindo o tecido, as mulheres iranianas reforçam um recado que ecoa além das fronteiras do país: a recusa em seguir uma imposição legal que, segundo as manifestantes, limita sua liberdade e autonomia. A continuidade dos protestos sugere que, mesmo diante de possíveis represálias, a chama da contestação permanece acesa.
Da Redação do MatoGrossoAoVivo | Com informações de Google News
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