POLÍTICA EM FOCO

“Taxa das blusinhas” eleva custos para o consumidor e não impulsiona empregos no varejo nacional

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Reprodução Nocentrodopoder
Estudo revela que a "taxa das blusinhas" aumentou preços para consumidores e não gerou empregos prometidos no varejo nacional.

A implementação da chamada “taxa das blusinhas”, uma cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, prometia reequilibrar a balança comercial e impulsionar o varejo nacional, gerando empregos e renda no Brasil. No entanto, um levantamento recente encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) e divulgado nesta quinta-feira (23) aponta para um cenário diferente: os preços no comércio brasileiro subiram, mas as contrapartidas em termos de criação de vagas e aumento salarial não se concretizaram.

A medida, em vigor desde agosto de 2024, tinha como um de seus pilares a proteção da indústria e do comércio local contra a concorrência de produtos importados de baixo custo. Contudo, a análise aprofundada dos dados revela que o principal impacto foi no bolso do consumidor, especialmente nas camadas de menor poder aquisitivo, sem o retorno esperado para o mercado de trabalho brasileiro.

O impacto da “taxa das blusinhas” no bolso do consumidor

Desde que a medida entrou em vigor, a principal consequência percebida foi o aumento dos custos para o consumidor final. A análise da Amobitec revela que a taxação reduziu significativamente a demanda por itens importados de menor valor, impactando diretamente o poder de compra, especialmente das faixas de renda mais baixas. Este cenário se traduziu em elevações de preços em diversos segmentos do varejo nacional que competem com produtos importados.

Entre agosto de 2024 e setembro de 2025, o estudo registrou aumentos notáveis em categorias de consumo popular: cosméticos ficaram 17% mais caros, bijuterias subiram 16%, papelaria teve alta de 13%, calçados apresentaram elevação de 9% e o vestuário registrou um acréscimo de 7,1%. Apenas no setor de brinquedos a elevação foi considerada pouco perceptível. Esses números demonstram como a política tributária se refletiu rapidamente nos orçamentos familiares, forçando consumidores a pagar mais por produtos que antes eram acessíveis via importação.

O diagnóstico é ainda mais preocupante ao detalhar o perfil dos atingidos. As classes D e E, com renda mensal de até R$ 3,5 mil, e a classe C, com renda de até R$ 10,8 mil, concentram a maioria dos consumidores afetados, representando 67,5% do público total. Isso sublinha a regressividade da medida, que penaliza desproporcionalmente quem tem menor poder aquisitivo e busca alternativas mais em conta para o consumo, muitas vezes essenciais para o dia a dia.

Empregos e salários: a promessa não cumprida no varejo nacional

Um dos argumentos centrais para a implementação da “taxa das blusinhas” era a proteção da indústria e do varejo nacional, com a expectativa de que a menor concorrência dos produtos importados impulsionaria a geração de empregos e a valorização salarial no país. Contudo, a pesquisa da Amobitec não encontrou evidências que corroborem essa expectativa.

Ao comparar a evolução do emprego e dos salários em setores mais expostos à concorrência internacional – como vestuário, calçados, eletrônicos, brinquedos e papelaria – com a de segmentos menos sujeitos a essa disputa, o estudo não apontou diferenças relevantes após a entrada em vigor da medida. Tanto o nível de emprego quanto o nível salarial seguiram trajetórias semelhantes em ambos os grupos de setores. Isso sugere que a taxação, por si só, não funcionou como um estímulo específico para os segmentos que passaram a contar com maior proteção, frustrando as expectativas de um aquecimento do mercado de trabalho local.

A falta de um impacto positivo na geração de empregos e renda levanta questionamentos sobre a eficácia da política como ferramenta de desenvolvimento econômico. A medida, que visava fortalecer o varejo nacional, parece ter se limitado a encarecer o consumo sem entregar os benefícios sociais e econômicos prometidos, criando um desequilíbrio entre o ônus imposto ao consumidor e os ganhos para a economia interna.

Remessa Conforme e o cenário do e-commerce brasileiro

A “taxa das blusinhas” é parte de um esforço maior do governo para regulamentar e fiscalizar as compras internacionais, materializado no Programa Remessa Conforme. Este programa, que busca formalizar as importações de baixo valor, trouxe uma maior fiscalização aduaneira, o que resultou em um aumento significativo nos valores importados e na arrecadação federal.

Os dados mostram que, entre 2022 e 2024, os valores aduaneiros importados saltaram de US$ 500 milhões para US$ 2,75 bilhões. No mesmo período, a arrecadação federal com essas operações passou de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,9 bilhões. Embora a fiscalização tenha se intensificado e a arrecadação tenha crescido, a demanda por compras de até US$ 50 sofreu uma queda estimada de 56% no valor importado. Além disso, houve um recuo médio de 19,4% nos pedidos com origem no Brasil dentro do e-commerce internacional até julho de 2025, em comparação com o período anterior à taxação.

Essa dinâmica revela uma complexa relação entre fiscalização, arrecadação e comportamento do consumidor. Enquanto o governo conseguiu aumentar sua receita e formalizar parte do fluxo de importações, o consumidor brasileiro, especialmente o de menor poder aquisitivo, sentiu o impacto direto no preço e na disponibilidade de produtos, sem a contrapartida de um mercado de trabalho mais robusto no varejo nacional.

O futuro do consumo e a política tributária

A análise da Amobitec acende um alerta para os formuladores de políticas públicas. A intenção de proteger o varejo nacional e gerar empregos é legítima, mas a forma como a tributação foi aplicada parece ter gerado efeitos colaterais indesejados, principalmente para o consumidor. O aumento de preços em categorias essenciais e a ausência de um impacto positivo no mercado de trabalho sugerem que a medida pode precisar de revisão ou complementação.

É fundamental que o debate sobre a tributação de compras internacionais considere não apenas a arrecadação e a proteção da indústria, mas também o poder de compra da população e o real impacto na geração de empregos. O cenário atual aponta para a necessidade de um equilíbrio mais fino, que permita ao Brasil se beneficiar da formalização do e-commerce sem penalizar excessivamente o consumidor ou deixar de cumprir promessas de desenvolvimento econômico.

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Especializado em jornalismo investigativo e político.
Está radicado nos Estados de Mato Grosso e Rondônia, desde 1991, trabalhando para sites, jornais e emissoras de TV e rádios de Mato Grosso e Rondônia.
É assessor de imprensa, roteirista, produtor, editor de conteúdo, consultor e analista de política e marketing social.
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